A movimentação recente do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, em direção ao Palácio do Planalto expõe mais do que um gesto protocolar. Trata-se de uma reação direta ao avanço de articulações políticas que podem alterar o tabuleiro eleitoral fluminense em 2026. O temor de uma aproximação entre o PT e o deputado Rodrigo Bacellar acelerou a ida de Paes a Brasília para uma conversa reservada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O encontro ocorreu após meses de desgaste na relação entre Paes e setores do PT, provocado por acenos do prefeito a lideranças da direita e por declarações interpretadas como críticas à agenda petista. No Planalto, cresceu a percepção de que o prefeito poderia adotar postura ambígua na eleição estadual, especialmente em municípios estratégicos do Rio de Janeiro.
Durante a conversa, Paes informou que deixará a prefeitura em março para disputar o governo do estado e se comprometeu a apoiar a candidatura de Benedita da Silva ao Senado, sinalizando alinhamento formal com o projeto nacional do PT. O gesto foi interpretado como uma tentativa de reconstruir confiança e neutralizar resistências internas no partido.
A urgência do movimento aumentou diante da possibilidade de uma eleição indireta para o governo do estado, caso Cláudio Castro renuncie para concorrer ao Senado. Nesse cenário, o PT avalia lançar André Ceciliano, nome que conta com articulação na Assembleia Legislativa e diálogo com Bacellar, hoje afastado da presidência da Casa.
A hipótese de o grupo petista assumir o controle da máquina estadual às vésperas da eleição acendeu o alerta máximo no entorno de Paes. Além disso, Bacellar atua para impedir que adversários ligados ao PL ocupem espaço estratégico, o que adiciona complexidade ao jogo político.
No Planalto, embora o gesto de Paes tenha sido bem recebido, a desconfiança persiste. O histórico recente de flertes com o bolsonarismo, a influência do PSD em projetos nacionais alternativos e o peso eleitoral da direita no estado mantêm dúvidas sobre a fidelidade do prefeito em um cenário de disputa presidencial polarizada.
A movimentação revela um dado central da política fluminense. Paes tenta equilibrar sua base eleitoral conservadora com a necessidade de apoio do governo federal. O risco é que essa equação instável produza fissuras tanto no campo petista quanto entre aliados locais, em uma eleição que promete ser marcada por disputas silenciosas, articulações de bastidores e decisões antecipadas longe dos palanques.
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