Obesidade é um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil e na região do Norte Fluminense, onde cresce a preocupação com o manejo eficaz da doença. A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) divulgou uma nova diretriz que redefine a utilização do tratamento farmacológico para obesidade. O documento reforça que os medicamentos não devem ser usados como terapia isolada, mas sempre combinados com mudanças de estilo de vida, incluindo aconselhamento nutricional e estímulo à prática regular de atividade física.
Critérios para indicação do tratamento farmacológico
A diretriz estabelece que a indicação de medicamentos para controle da obesidade deve basear-se principalmente no Índice de Massa Corporal (IMC). O tratamento é recomendado para pessoas com IMC igual ou superior a 30 kg/m² ou para aquelas com IMC maior ou igual a 27 kg/m² que apresentem complicações associadas à adiposidade, como condições metabólicas ou cardiovasculares. Além disso, o documento permite avaliar a necessidade de tratamento independentemente do IMC quando há aumento da circunferência da cintura ou da relação cintura-altura associado a fatores de risco ou doenças relacionadas.
Essa abordagem individualizada busca atender às características clínicas específicas de cada paciente, algo que o presidente da Abeso, Fábio Trujilho, destaca como uma evolução na prática médica, que trará mais segurança e respaldo na condução do tratamento.
Abordagem multidisciplinar e recomendações específicas
O processo de elaboração da diretriz contou com a participação de um grupo multidisciplinar, incluindo endocrinologistas, clínicos gerais e nutricionistas. A intenção é alinhar o conhecimento científico às situações mais comuns encontradas nos consultórios, indo além da simples prescrição de remédios. Entre os cenários contemplados estão o risco cardiovascular, pré-diabetes, doença hepática gordurosa, osteoartrite, câncer, deficiência de testosterona masculina, apneia do sono e perda de massa magra e muscular.
Fernando Gerchman, um dos coordenadores da diretriz, destaca que essas recomendações refletem as dúvidas reais dos profissionais de saúde, aproximando a ciência clínica da prática cotidiana. A associação oferece no seu site uma ferramenta para cálculo do IMC, facilitando a avaliação inicial do estado nutricional da população.
Alertas sobre uso de medicamentos sem comprovação
Outro ponto relevante da nova diretriz são os alertas relacionados ao uso de substâncias sem eficácia e segurança comprovadas em estudos clínicos para o tratamento da obesidade. Estão incluídos produtos manipulados, fórmulas magistrais, diuréticos, hormônios tireoidianos, esteroides anabolizantes, implantes hormonais e gonadotrofina coriônica humana (hCG). O documento reforça que tais práticas não devem ser adotadas, dadas as possíveis consequências adversas para a saúde.
Os riscos de tratamentos não validados reforçam a necessidade da atuação médica informada e criteriosa, sempre respeitando as evidências científicas para garantir o cuidado adequado ao paciente.
A íntegra das 32 recomendações pode ser acessada no site da Abeso, onde o documento está disponível na íntegra, oferecendo um guia completo para o tratamento e o manejo da obesidade.
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