Terça-feira, 24 de março de 2026
Saúde

Febre do Oropouche já atinge 2% da população brasileira, aponta estudo

Doença transmitida por mosquito tem alta subnotificação e preocupa com expansão urbana e regional

Por Fabrício Freitas
24/03/2026 às 11h13

Casos de febre do Oropouche são muito subnotificados em municípios do Brasil / Foto: BRUNA LAIS SENA DO NASCIMENTO/LABORATÓRIO DE ENTOMOLOGIA

Um estudo divulgado no final de março de 2026 revela que a febre do Oropouche está muito mais disseminada no Brasil do que indicam os registros oficiais. Dados coletados entre 1960 e 2025 indicam que situações reais de infecção chegam a ser até 200 vezes maiores do que os casos confirmados, o que coloca a doença como um problema oculto de saúde pública. Atualmente, pelo menos 2% da população brasileira já teve contato com o vírus, um fato que se traduz em pelo menos 5,5 milhões de infectados no país desde a identificação da doença.

Subnotificação e expansão da febre do Oropouche

Transmitida por mosquitos do gênero Culicoides paraensis, conhecidos na Região Norte como maruim ou mosquito-pólvora, a febre do Oropouche apresenta alta subnotificação. Esse índice é atribuído principalmente ao difícil acesso aos serviços de saúde nas áreas da bacia amazônica, bem como à grande quantidade de casos assintomáticos ou com sintomas leves, o que dificulta o diagnóstico correto por profissionais. A doença apresenta sintomas febris semelhantes aos da dengue e outras arboviroses, que são comuns em regiões tropicais.

O novo cenário evidencia uma transição do perfil epidemiológico, com registro crescente de ciclos urbanos da doença nas capitais brasileiras e grandes centros, uma situação até recentemente considerada incomum. Manaus, com cerca de 2 milhões de habitantes e forte interligação aérea com cidades do Norte Fluminense e do estado do Rio de Janeiro, desponta como epicentro para propagação do vírus, afetando em 2024 regiões como Espírito Santo e o próprio Rio de Janeiro.

Surtos históricos e impacto regional

A pesquisa traça um histórico de 32 surtos da febre do Oropouche na América Latina desde 1955, sendo 19 deles registrados só no Brasil. O surto recente, ocorrido entre 2023 e 2024, teve alcance semelhante ao surto de 1980-1981 no estado do Amazonas, com cerca de 12,5% da população infectada em Manaus e quase 15% em todo o estado. Esse padrão demonstra a persistência da doença em regiões amazônicas e sua crescente disseminação para áreas urbanas e rurais degradadas.

No Norte Fluminense, as informações oficiais ainda são esparsas, mas a interligação regional indica que a população está exposta ao risco de infecção. A febre do Oropouche, apesar de pouco conhecida nacionalmente, tem potencial para impacto direto na rotina urbana, ocasionando aumento de atendimentos médicos por sintomas febris e neurológicos e demandando preparo das redes de saúde pública para diagnóstico diferenciado.

Desafios no diagnóstico e controle da doença

A ausência de vacinas específicas e antivirais para a febre do Oropouche impõe um desafio crítico às autoridades de saúde. Estudos recentes apontam para a possibilidade de imunidade duradoura em quem teve contato com o vírus, mas novas infecções continuam a ocorrer dada a circulação do vetor e a presença do vírus em áreas rurais e florestais. Estratégias centradas apenas no controle de mosquitos urbanos, como o Aedes aegypti, são insuficientes para conter a transmissão, o que exige vigilância ampliada em zonas de contato com áreas verdes degradadas.

Especialistas também recomendam o desenvolvimento de técnicas de rastreamento baseadas na análise genética de amostras de pacientes com síndromes febris, para melhor mapear a circulação do vírus e identificar as populações em risco. A baixa notificação dos casos dificulta o dimensionamento da gravidade da doença, especialmente em relação às complicações graves que podem afetar o sistema nervoso central, assim como desfechos materno-fetais adversos e mortes.

Diante desse quadro, a febre do Oropouche configura-se como uma ameaça invisível, que pode impactar a vida das pessoas em distintos municípios, aumentando a pressão sobre sistemas de saúde locais e exigindo integração entre vigilância epidemiológica, pesquisa e políticas públicas voltadas para prevenção e manejo clínico da doença.

 

Fonte: Agência Brasil

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