Quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
Saúde

Mulher fica em estado grave após usar injeção ilegal para emagrecimento

Produto contrabandeado e sem autorização sanitária é investigado

Por Fabrício Freitas
21/01/2026 às 13h14

Produto ilegal para emagrecimento é investigado após mulher ficar em estado grave / Foto: Reprodução

Uma mulher de 42 anos, identificada como Kellen Oliveira Bretas Antunes, está internada em estado grave desde dezembro após utilizar uma injeção para emagrecimento vendida de forma ilegal no Brasil. A paciente encontra-se hospitalizada em Belo Horizonte depois de apresentar uma rápida e grave piora em seu estado de saúde após a aplicação do produto.

Segundo familiares, Kellen adquiriu a medicação sem prescrição médica e sem qualquer acompanhamento profissional. O produto teria sido trazido do Paraguai. Logo após a aplicação, a mulher passou a sentir fortes dores abdominais. Com o passar dos dias, o quadro evoluiu e surgiram complicações neurológicas severas, que resultaram em paralisia total.

A medicação utilizada é conhecida como Lipoless. O produto não possui registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária e não é autorizado para uso, fabricação, importação ou comercialização no Brasil. O Lipoless é divulgado como um suposto análogo da tirzepatida, substância presente em medicamentos como o Mounjaro, indicado para o tratamento de diabetes tipo 2 e que também pode provocar perda de peso sob rigoroso controle médico.

No entanto, especialistas alertam que produtos vendidos como alternativas a medicamentos regulamentados não passam por testes de segurança, qualidade ou eficácia. No caso do Lipoless, não há qualquer garantia sobre a composição, dosagem ou procedência da substância, o que aumenta significativamente o risco de reações adversas graves.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária informou que, em novembro, suspendeu a circulação de diversas canetas emagrecedoras amplamente divulgadas na internet e em redes sociais, justamente por não possuírem registro sanitário no país. Sem essa autorização, não existe comprovação de que os produtos sejam seguros ou eficazes, o que torna proibidas a fabricação, venda, importação e divulgação.

Entre os itens suspensos estão produtos apresentados como agonistas de GLP 1 e comercializados para fins estéticos, como T.G. 5, Lipoless, Lipoless Eticos, Tirzazep Royal Pharmaceuticals e T.G. Indufar. A Anvisa destacou que a decisão foi motivada pela ampla oferta desses produtos em plataformas digitais, prática que não é permitida para medicamentos no Brasil.

Mesmo nos casos em que há prescrição médica, a entrada desses produtos no país é impedida, já que a proibição específica bloqueia qualquer forma de importação, inclusive para uso pessoal. A comercialização clandestina, muitas vezes em formato de canetas ou ampolas, ocorre sem qualquer controle sanitário.

No caso de Kellen, há suspeita de que ela tenha desenvolvido a Síndrome de Guillain Barré, uma doença neurológica rara e grave de origem autoimune. A condição ocorre quando o próprio sistema imunológico ataca os nervos periféricos, comprometendo a transmissão dos impulsos nervosos.

Os sintomas iniciais da síndrome costumam incluir formigamento, dormência e fraqueza muscular, geralmente começando pelos membros inferiores. Em quadros mais graves, a doença pode evoluir rapidamente para paralisia, atingindo braços, pernas, músculos da face e funções vitais, como a respiração e a deglutição, exigindo internação prolongada e suporte intensivo.

O caso chama atenção para os riscos associados ao uso de medicamentos ilegais para emagrecimento e reforça o alerta das autoridades de saúde sobre os perigos de produtos vendidos sem registro, prescrição ou acompanhamento médico. O uso dessas substâncias pode resultar em consequências graves, permanentes e até fatais.

Fonte: Redação

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