O governo do Estado do Rio de Janeiro apresentou neste sábado um protótipo de aplicativo voltado à avaliação neurológica de pacientes com hanseníase, com a proposta de modernizar um dos principais exames utilizados no acompanhamento da doença no Sistema Único de Saúde. A demonstração ocorreu durante a Conferência Nacional de Alto Nível em Hanseníase 2026, realizada na capital fluminense.
A ferramenta foi apresentada pela secretária estadual de Saúde, Claudia Mello, durante um painel que discutiu o uso de tecnologias digitais e inteligência artificial na prevenção de incapacidades causadas pela doença. A proposta do aplicativo é digitalizar a chamada Avaliação Neurológica Simplificada, procedimento essencial para identificar danos nos nervos e acompanhar a evolução clínica de pacientes diagnosticados com hanseníase.
Hoje, esse exame ainda é realizado manualmente em formulários de papel. O processo exige profissionais capacitados para aplicar testes de sensibilidade nas mãos e nos pés dos pacientes, além de registrar os resultados manualmente. Com a digitalização, a expectativa é tornar o atendimento mais rápido, padronizado e capaz de gerar dados estruturados para análises clínicas e epidemiológicas.
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, a iniciativa busca aproximar o atendimento público das ferramentas tecnológicas que já vêm sendo incorporadas em diversas áreas da medicina. A intenção inicial é transformar o atual formulário em um sistema digital, permitindo registro imediato das informações e facilitando o acompanhamento do histórico de cada paciente.
Tecnologia para modernizar acompanhamento da doença
A hanseníase continua sendo um desafio de saúde pública em várias regiões do Brasil. Embora tenha tratamento gratuito e cura quando diagnosticada precocemente, a doença ainda provoca sequelas neurológicas em muitos pacientes, especialmente quando o diagnóstico ocorre tardiamente.
A Avaliação Neurológica Simplificada é considerada uma etapa fundamental no acompanhamento clínico. Por meio dela, profissionais de saúde verificam possíveis alterações na sensibilidade e na força muscular, sinais que podem indicar comprometimento dos nervos periféricos.
Com o novo aplicativo, essas informações poderão ser registradas diretamente em um banco de dados digital. Isso facilita tanto o acompanhamento individual do paciente quanto a análise de indicadores da doença em escala regional ou nacional.
A proposta também abre caminho para futuras funcionalidades. Entre elas está a possibilidade de incorporar algoritmos que auxiliem profissionais de saúde na classificação do grau de sensibilidade e no monitoramento da evolução clínica dos pacientes.
Projeto envolve universidades e instituições de pesquisa
O aplicativo apresentado ainda está em fase de protótipo e será submetido a testes antes de uma possível implementação mais ampla. A etapa inicial consiste em uma prova de conceito, que permitirá avaliar a viabilidade da ferramenta no ambiente real de atendimento.
No Rio de Janeiro, os testes devem ocorrer inicialmente em duas unidades da rede estadual, incluindo o Hospital Estadual Tavares de Macedo, referência no tratamento de hanseníase no estado.
O desenvolvimento da solução integra um projeto de pesquisa financiado por instituições nacionais de ciência e tecnologia. Entre elas estão o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o Ministério da Saúde e a Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco.
A pesquisadora Patricia Endo, da Universidade de Pernambuco, é autora do projeto que originou a ferramenta. O estudo surgiu após pesquisadores identificarem dificuldades na consolidação de dados sobre a doença em hospitais de referência, onde grande parte das informações ainda permanece registrada apenas em formulários físicos.
A digitalização da avaliação neurológica, segundo os pesquisadores, pode ajudar a organizar melhor esses dados e facilitar a produção de análises epidemiológicas, essenciais para o planejamento de políticas públicas de saúde.
Iniciativa integra avanço do SUS digital
A prova de conceito do aplicativo já começou a ser aplicada em Pernambuco e agora deverá ser ampliada para o estado do Rio de Janeiro em parceria com instituições de pesquisa e órgãos de saúde pública.
Para a coordenação de inovação da Secretaria de Estado de Saúde, iniciativas desse tipo fazem parte de um movimento mais amplo de transformação digital dentro do Sistema Único de Saúde. O objetivo é usar tecnologia para ampliar a eficiência dos serviços, sem perder o foco no atendimento humanizado aos pacientes.
Especialistas em saúde pública avaliam que a digitalização de processos clínicos pode contribuir para melhorar o monitoramento de doenças negligenciadas, como a hanseníase, que ainda apresenta casos recorrentes no país.
Além de agilizar o atendimento, ferramentas digitais também podem ajudar a identificar padrões da doença, orientar estratégias de prevenção e ampliar a capacidade de resposta do sistema de saúde.
Nos próximos meses, os resultados dos testes do aplicativo devem indicar se a ferramenta poderá ser expandida para outras unidades de saúde e eventualmente integrada às plataformas digitais utilizadas pelo SUS.
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