Americano Futebol Clube

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Aqui tem história

Historiadora e Diretora do Arquivo Público Municipal Waldir Pinto de Carvalho (APMWPC), atualmente faz Doutorado em História Social pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). É também mestre em Sociologia Política pela Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF). Possui experiência na área da História do Brasil Colonial e História Moderna, com ênfase no estudo dos séculos XVII e XVIII. Atua também na área da Paleografia e no Ensino de História Regional. É autora dos livros "Benta Pereira em documentos: testamento e inventários", "Notas Sobre a Fundação do Município de Campos dos Goytacazes", "Ex-presidentes da Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes: império 1822-1889", entre outros. Tem desenvolvido suas pesquisas tendo como foco a história de Campos e região, em especial durante os períodos da Colônia e Império.

Rafaela Machado

Americano Futebol Clube

Americano Futebol Clube em foto inédita no antigo estádio localizado na Barão de Miracema

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20/09/2020 às 08h06

João Pimentel e Nelson Meméia
Americano Futebol Clube em foto inédita no antigo estádio localizado na Barão de Miracema

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Conhecido como “O Glorioso”, o Americano Futebol Clube é o maior ganhador de competições locais, consagrado por nove vezes consecutivas como campeão campista, nas campanhas de 1967 a 1975, e o primeiro clube do interior do Estado do Rio de Janeiro a vencer os campeonatos da Taça Guanabara e da Taça Rio. A história do seu surgimento é também reveladora do ímpeto destacado do time de ser vencedor.

 

Em abril do ano de 1914, o América Futebol Club – um dos maiores clubes à época do Estado do Rio de Janeiro (antes da fusão com o Estado da Guanabara) e campeão carioca de então -, esteve em Campos para enfrentar em partida comemorativa os melhores jogadores de variados times da cidade. O presidente da Liga Campista de Futebol – criada em 1913, Múcio da Paixão, não aceitou a proposta de selecionar os melhores jogadores da cidade e optou por escolher dois jogadores de cada um dos times existentes, perdendo então a partida para o América de 6x0. Diante da negativa de Múcio da Paixão, e contrariando o que a Liga havia determinado, alguns atletas da cidade se reuniram para formar um time composto pelos melhores jogadores de Campos para também realizar a partida contra o América, da qual saíram perdedores com um placar mais apertado de 3x1. Na ocasião, o time dos sonhos foi selecionado por Luiz Pamplona, do Clube Esportivo Rio Branco, Nelson Póvoa, do Aliança, e Sinhô Campos – Antônio Campos Júnior, do time Luso-Brasileiro, que também atuaram como jogadores. Dessa forma, o time que enfrentou o América era assim composto: José, Cretela, Santos, Plínio, Nélson Póvoa, Rossine, Heitor, Pamplona I, Sinhô Campos, Pamplona II e Begnardi.

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A escolha do nome “Americano” ainda não é consenso entre os que pesquisam o futebol campista. Para uns, a partir da ideia de formar um novo time na cidade, e por sugestão dos irmãos uruguaios Bertoni, jogadores do América e em passagem por Campos, foi escolhido o nome América Futebol Club, como lembrança de um extinto clube paulista de mesmo nome em que os Bertoni haviam jogado e que nunca perdera uma partida. Para outros, a escolha parece estar ligada a uma conversa de bar em que os donos eram torcedores do América. A historiografia oficial do clube por sua vez dá conta de uma reunião ocorrida na joalheria dos irmãos Suppa para criação do time, por sugestão de Belfort Duarte – patrono do América -, o hoje Americano chamar-se-ia América, em franca homenagem ao clube carioca. Então, por sugestão dos já citados irmãos Belfort, jogadores do rubro carioca, nascia o Americano Futebol Clube. Seja como for, o nome escolhido – Americano Futebol Club – tem direta relação com o América Futebol Club.

A data de fundação também não é objeto de consenso. Oficialmente, o clube foi fundado em 01 de junho de 1914, embora seja possível verificar reportagens em jornais de época que dão conta da fundação ainda em 23 de abril ou 03 de maio daquele ano, provavelmente datas relacionadas à formação do grupo que enfrentou o América em partida realizada naquele mês de abril. É possível afirmar, no entanto, que a data de 03 de maio nos parece mais provável, já que apenas a 28 de abril é que o nome “Americano Futebol Clube” foi de fato aprovado pelo grupo que criava a agremiação, constando a data de 03 de maio na ata de fundação do time. Além disso, a primeira partida disputada já pelo grupo originalmente formado – e não apenas pelo grupo que enfrentou o combinado com o América -, ocorreu já a 12 de maio, estreando o Americano com vitória de 4x1 sobre o rival Rio Branco em jogo realizado no campo do Luso-Brasileiro, na Coroa. Logo, se o primeiro jogo oficial do clube ocorreu em 12 de maio, não nos é possível convir que 01 de junho – data posterior, portanto, marque a criação deste centenário time.  Para corroborar a data de 03 de maio, destaca-se também a eleição da primeira diretoria – que aparecia nas páginas do Monitor Campista desde princípios daquele mês de maio.

Tendo como primeira sede a casa do jogador e fundador Sinhô Campos, estabelecida na Avenida XV de Novembro, foi primeiro presidente do clube, Carlos Barroso e vice-presidente Nataniel Galvão. Segundo Paulo Ourives, exímio pesquisador sobre a história do futebol em Campos, foram fundadores do time os já citados Antônio Campos Júnior (Sinhô Campos), Luiz Pamplona e Nelson Póvoa, além de Fernando Cretela, Daniel Sanz, Diógenes Campos, Zizinho Suppa, Ernesto Pamplona, Heitor Manhães, Bergnard, Jaime Vieira, Alfredo Rosas, Chiquito Almeida, Renê Almeida e Osvaldo Santos. Interessante perceber ainda que a escolha das cores para a agremiação, o preto e branco, era uma homenagem ao Clube de Regatas Saldanha da Gama, clube do qual eram sócios os fundadores do Americano.

A ascensão do Americano nos primeiros anos é absolutamente digna de nota. Apenas um ano após a sua criação, isto é, em 1915, o time já se sagrava campeão do Campeonato Campista, derrotando os grandes da época – Rio Branco, Goytacaz, Aliança e Luso-Brasileiro. No ano de 1922, portanto, apenas oito anos após a sua criação, dois de seus jogadores – Soda e Mario Seixas, o “menino de ouro do futebol campista” -, foram selecionados para a Seleção Brasileira, assim como em 1930, com a escalação de Policarpo Ribeiro.

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Em sua trajetória de vitórias, são relembradas algumas das mais icônicas disputas, como o 3x0 conquistado em 1922 em partida amistosa sobre o Uruguai – que seria consagrado apenas dois anos depois campeão olímpico, e o 5x0 sobre o Flamengo apenas um ano depois. O Americano tinha ainda o título de maior vencedor do Campeonato Fluminense, disputado pelo Estado do Rio de Janeiro, antes da fusão deste com o Estado da Guanabara, além de ser o time que mais vezes disputou a Série B do Campeonato Brasileiro – 20 vezes. Já no ano de 1921, disputou partida com um dos quatro grandes do Rio de Janeiro, enfrentando o Flamengo e garantindo vitória de 5 a 0. Em amistoso realizado em 1975 para celebrar a reabertura do Estádio Godofredo Cruz, o Americano empatou em 1 a 1 com a Seleção Brasileira de amadores. Em finais dos anos 80 – período de grande crescimento e de muitas vitórias para o time -, o Americano venceu o Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais, ao ser escolhido para representar o estado do Rio de Janeiro. A final foi disputada contra a Seleção de São Paulo, que àquela altura possuía cinco jogadores que integravam a Seleção Brasileira. Após a fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro em 1975, o Americano foi o primeiro time do interior do então novo Estado do Rio de Janeiro, a ser incluído no Campeonato Nacional.

O Americano possuía o maior estádio de Campos e terceiro maior do interior do estado do Rio de Janeiro, perdendo apenas para o Estádio Raulino de Oliveira, em Volta Redonda, e para o Estádio Claudio Moacyr de Azevedo, em Macaé. O já extinto Estádio Godofredo Cruz, fundado em 24 de janeiro de 1954 e que recebeu esse nome em homenagem a um de seus presidentes, possuía capacidade inicial para 25 mil pessoas. Curioso que a partida inaugural do estádio se deu numa disputa entre Goytacaz e Bangu, que venceu com placar de 4x1. Para tristeza de muitos torcedores, o estádio foi demolido em 2014, já que desde anos anteriores vinha passando por muitas dificuldades, inclusive com diminuição da capacidade pela Defesa Civil para 9 mil pessoas. Pela venda da área, o Americano acordou com a empresa Embege a construção do Centro de Treinamento de Guarus, tendo ainda como objetivo a construção de um estádio com capacidade para cerca de 11 mil pessoas.

Time de tradição e história, O Glorioso é daqueles times que desperta paixões e defesas entusiasmadas de seus torcedores. A torcida, aliás, é um dos maiores destaques do time. Considerada a mais apaixonada e entusiasmada, a torcida do Americano costuma dar trabalho aos adversários. Localmente, as partidas mais celebradas são as disputas com o também centenário e tradicional Goytacaz Futebol Clube, clássico intitulado pelas torcidas como Goyta-Cano. O primeiro confronto entre os dois times se deu em 1914 e terminou com vitória do alvi-anil por 4x2. Nas disputadas do Campeonato Campista, o Americano se consagrou campeão por 27 vezes, contra 20 do Goytacaz. Goytacaz e Americano celebraram também partida amistosa pelo centenário do clássico Goyta-Cano em 2014, disputado em Macaé e com placar apertado de 1x0 para o Goytacaz.

Com o pensamento de resgatar a história do clube, o presidente Vagner Xavier destaca que o projeto do novo estádio do Americano contempla espaço para a criação de uma espécie de museu do time, já existindo para isso, um grupo montado por alguns torcedores que está coletando os materiais que possam ser expostos neste local. Presidente de um clube que tem uma história tão rica e com tantas conquistas, Vagner fala também do orgulho que sente em ser o presidente do centenário Americano. “É um clube centenário, que tem uma história muito rica, além de ser bastante vitorioso nestes 106 anos, tendo títulos municipais, estaduais e até nacionais, o que é algo exclusivo na cidade de Campos para o Americano”, diz ele. Perguntado sobre o que o Americano de hoje guarda do time criado em 1914, Vagner relembra a própria história da agremiação, “quando a união das pessoas fez nascer este clube, que não carrega nove estrelas no escudo à toa”.

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- Se você deseja saber mais sobre o futebol campista, consulte o clássico de Paulo Ourives intitulado “História do Futebol Campista”; “Almanaque Esportivo do Jubileu de Ouro do Futebol Campista”, escrito por Nilo Terra Areas e “Ídolos do nosso esporte: a história esportiva de Campos” e “Centenário do Futebol de Campos dos Goytacazes”, ambos de Hélvio Santafé. Na internet, visite a página oficial do Americano Futebol Clube que celebra a história do time em fotos e informações.

 

- Interessou e quer saber mais? Visite o Instagram ou o Facebook “Rafaela1808” para ver fotos inéditas do Americano, incluindo aí as reuniões realizadas para o levantamento do Estádio Godofredo Cruz, além de imagens dos primeiros jogadores. Agradeço de antemão a João Pimentel e Nelson Meméia Martins Sobrinho que doaram as imagens originais ao Arquivo Público e para serem utilizadas nesta publicação.

Fonte: Rafaela Machado

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