Um solar de muitos nomes e de muitas histórias

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Historiadora e Diretora do Arquivo Público Municipal Waldir Pinto de Carvalho (APMWPC), atualmente faz Doutorado em História Social pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). É também mestre em Sociologia Política pela Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF). Possui experiência na área da História do Brasil Colonial e História Moderna, com ênfase no estudo dos séculos XVII e XVIII. Atua também na área da Paleografia e no Ensino de História Regional. É autora dos livros "Benta Pereira em documentos: testamento e inventários", "Notas Sobre a Fundação do Município de Campos dos Goytacazes", "Ex-presidentes da Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes: império 1822-1889", entre outros. Tem desenvolvido suas pesquisas tendo como foco a história de Campos e região, em especial durante os períodos da Colônia e Império.

Rafaela Machado

Um solar de muitos nomes e de muitas histórias

Aqui tem história deste domingo (17) fala sobre o Solar do Barão de Carapebus.

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17/05/2020 às 09h00 17/05/2020 às 00h15

Reprodução
Aqui tem história deste domingo (17) fala sobre o Solar do Barão de Carapebus.

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Palco de celebrações que receberam D. Pedro II quando de sua primeira visita a Campos no ano de 1847, o Solar de Santo Antônio, ou Solar do Beco, ou ainda Fazenda Grande do Beco,também chamado de Solar do Barão de Carapebus, é, ainda hoje, grande exemplo na planície goitacá dos belos solares que a região abrigava durante a chamada fase áurea da economia açucareira.

Grandioso exemplar de arquitetura colonial, o Solar foi construído em tijolos maciços, podendo ser acessado frontalmente por um lance de escadas de cantaria que conduz ao seu interior, bem como por outros lances que estão em suas laterais e que também conduzem aos amplos cômodos formados por salões e quartos. Possuindo quatorze janelas em sua imponente fachada principal, é ainda cercado por vistosas grades de ferro ricamente trabalhadas, e apresenta ainda hoje belíssimo solarium/ pátio internoem meio ao quadrilátero que forma a edificação, além de uma interessante capela em seu interior.

Embora seja possível constatar que em meados do século XIX o Solar já se encontrava com seu formato atual, não é possível precisar a data em que tal edificação foi construída, o que, no entanto parece ter se dado ainda em princípios do século XIX – embora alguns estudiosos locais afirmem que a construção date precisamente do ano de 1846. O Solar teve como primeiro proprietário, e provável construtor, Joaquim Pinto Neto dos Reis, o Barão de Carapebus –advogado, militar, com a patente de tenente-coronel comandante da Guarda Nacional, Comendador das Ordens da Rosa e de Cristoe vereador da Câmara de Campos. 

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Incorporado à malha urbana de Campos, o Solar está localizado às margens da Avenida 28 de Março, e foi construído para ser a sede da antiga Usina Santo Antônio – que também apresenta seus sinais até os dias de hoje, embora em ruínas. Originalmente localizada no Bairro do Beco, a Usina de Santo Antônio foi construída como Engenho Central entre os anos de 1880 e 1881, por Joaquim Pinto Neto dos Reis, então Barão de Carapebus.

Filho de Bernardo Pinto Neto da Silveira e de Anna Maria Pereira, o Barão de Carapebus nasceu em Campos dos Goytacazes, em data incerta, e faleceu em Niterói em 1867, estando hoje sepultado no Cemitério de Catumbi. Foi elevado ao título de barão em 1854, recebendo a denominação “Carapebus” em referência à cidade em que a esposa - Antônia Joaquina Neto dos Reis – possuía familiares, embora lá não residisse. É de se destacar que esse fidalgo brasileiro exerceu postos de destaque na corte brasileira, como guarda-roupa– função honorífica de apoio palaciano ao imperador e sua família, e foi um dos criadores da Sociedade Campista Promotora do Trabalho Livre, de caráter emancipacionista, em meados da década de 50.

No Solar, o Barão de Carapebus realizou grandes festas e eventos, tendo, inclusive, hospedado o imperador D. Pedro II quando de sua primeira visita a Campos. Alberto Lamego relata em uma de suas obras (A Terra Goytacá) que os eventos promovidos pelo Barão de Carapebus, reuniam a “fina flor da sociedade campista”. Interessante ressaltar também, que a família atuou como espécie de mecenas protetora do artista plástico Clóvis Arrault, sendo, por isso, alguns desses familiares retratados pelo francês em pinturas, como é o caso dos barões de Carapebus. 

Ao longo de sua história, o Solar passou às mãos de outros proprietários até servir à finalidade a que serve atualmente – Asilo do Carmo. Tombado pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, desde 1946, ainda durante o século XIX, o Solar passou à propriedade do Visconde de São Sebastião –o Cônsul Miguel Ribeiro da Mota -, até ser comprado pelo Comendador Antônio Manoel da Costa. Com este, a partir do ano de 1884, o Engenho Central de Santo Antônio tornou-se Usina, o que se deu ao adotar formas e empreendimentos mais produtivos e modernos de produção.

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Tempos depois, em 1904, passou à propriedade da firma Brandão & Cia., dirigida pelo Coronel Germano Ribeiro de Castro.  A partir dos anos de 1935, a Usina Santo Antônio passou a fazer parte da Companhia Industrial Agrícola Usina Santo Antônio, que tinha como donos um grupo de sócios liderados por Tarcísio Miranda, importante fazendeiro e industrial campista, de projeção política nacional. Aproveitando-se de investimentos federais, Osvaldo Miranda, filho do Senador Tarcísio Miranda, investiu na modernização do parque industrial daquela usina, fundindo-a, no ano de 1978, à já existente Usina Cambaíba, e fundando um novo e moderno parque industrial. Terminava aí a produção da Usina Santo Antônio.

É interessante destacar que nos anos 30, o Solar foi transferido ao Seminário Diocesano pelaCompanhia Industrial Agrícola Usina Santo Antônio e, logo depois, desde no ano de 1939,passou a funcionarcomo “Asilo de Nossa Senhora do Carmo”, após doação feita à Associação Mantenedora do Asilo do Carmo. Nesse contexto é que é preciso entender o processo de tombamento do Solar de Santo Antônio, o que se deu através da ação de Cardoso de Miranda, então Secretário do Interior e Justiça do Estado do Rio de Janeiro, ele próprio que teve a edificação como local de nascimento. De forma provisória, o Solar foi tombado pelo IPHAN no ano de 1938, recebendo confirmação apenas em 1946.

Desde os primeiros anos, a Associação Mantenedora do Asilo do Carmo promovia diversas atividades religiosas e festivas na capela do interior do Solar e em seus salões, como forma de angariar recursos para a manutenção dos idosos. De tal forma, casamentos, batizados, bodas e outras celebrações aconteceram naquele casarão, sendo consideradas as festas mais elegantes e badaladas de Campos.

Porém, no ano de 1999, em reunião da diretoria do Asilo, foi constatado por um dos diretores que o piso da estrutura aparentava acentuado desnível. Após a vinda de técnicos, a edificação foi interditada e, os idosos precisaram ser transferidos, em 2003, para construção erigida no final da década de 60 e que ficava anexa ao Solar. Um primeiro escoramento na estrutura lateral foi feito, portanto, em princípios dos anos 2000, como também um segundo no ano de 2006. Já em 2019, o IPHAN realizou novas intervenções na edificação, tendo a finalidade de reforçar os escoramentos anteriores para estabilização emergencial, trocar o telhado e reparar algumas partes estruturais.

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Com verba federal de 1,5 milhão proveniente do Ministério da Cultura, o IPHAN realizou as referidas intervenções, após constatações de que o Solar estava já em estado avançado de degradação, correndo risco de perda.

Cabe ressaltar que o Solar passou por algumas obras e intervenções ao longo de sua história. A primeira delas parece ter acontecido por volta dos anos 30, antes do Tombamento pelo IPHAN, e já com a finalidade de servir de abrigo aos idosos.

Palco de tantas celebrações, de diferentes eventos políticos e de momentos históricos que marcaram a vida de Campos, e também do Brasil, o Solar foi também local de celebrações de histórias pessoais, histórias de vida, de alegrias e comemorações. Foram casamentos, bodas, batizados, reuniões e festas que certamente ainda devem estar registrados nos álbuns de memórias familiares de muitos campistas. Essas lembranças podem ou não se desfazer com o tempo, o que dependerá do zelo de quem as guarda. Assim também funciona com os nossos patrimônios edificados. Eles podem ser mais ou menos duradouros, e a certeza da sua perenidade, assim como das nossas próprias memórias, é o que deveria nos levar a cuidar melhor deles.

O Solar de Santo Antônio, Solar do Beco ou Solar do Barão de Carapebus está resistindo, assim como outros. Talvez menos pelos nossos esforços e mais pela sua própria força. Precisamos nos lembrar deque tambémsomos feitosde pedra e cal! Somos história, somos passado!

Fonte: Rafaela Machado

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