Você conhece a história do ilustre campista Luís Felipe de Saldanha da Gama?

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Historiadora e Diretora do Arquivo Público Municipal Waldir Pinto de Carvalho (APMWPC), atualmente faz Doutorado em História Social pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). É também mestre em Sociologia Política pela Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF). Possui experiência na área da História do Brasil Colonial e História Moderna, com ênfase no estudo dos séculos XVII e XVIII. Atua também na área da Paleografia e no Ensino de História Regional. É autora dos livros "Benta Pereira em documentos: testamento e inventários", "Notas Sobre a Fundação do Município de Campos dos Goytacazes", "Ex-presidentes da Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes: império 1822-1889", entre outros. Tem desenvolvido suas pesquisas tendo como foco a história de Campos e região, em especial durante os períodos da Colônia e Império.

Rafaela Machado

Você conhece a história do ilustre campista Luís Felipe de Saldanha da Gama?

Luís Felipe Saldanha da Gama - Oficial da Marinha Brasileira.

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05/09/2020 às 23h03 06/09/2020 às 09h07

Reprodução
Luís Felipe Saldanha da Gama - Oficial da Marinha Brasileira.

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Ilustre oficial da Armada Brasileira, Luís Felipe de Saldanha da Gama nasceu em Campos dos Goytacazes em 07 de abril de 1846, numa vivenda situada à Beira-Rio, antiga Pedro II – hoje Avenida XV de Novembro, onde hoje está instalado o Fórum Municipal. Foi um dos mais destacados e até hoje imortal da Marinha Brasileira. 

Filho de Dom José de Saldanha da Gama e de D.Maria Carolina Barroso de Saldanha da Gama - filha mais velha de Sebastião Gomes Barroso e de Ana Bernardinado Nascimento, proprietários da grande Fazenda do Colégio. A fazenda havia sido arrematada em praça pública pelo comerciante português Joaquim Vicente dos Reis, avô paterno de Maria Carolina, após a expulsão dos jesuítas do Brasil - resultado das chamadas Reformas Pombalinas. Descendente da mais alta estirpe do Brasil e de Portugal, Dom José Saldanha da Gama, por sua vez, nasceu na Bahia e era filho de D. João Saldanha da Gama Melo Torres Guedes de Brito, 6º Conde da Ponte e governador da Bahia, e de D. Maria Constança de Saldanha Oliveira Daun, Condessa da Ponte e neta do Marquês do Pombal. 

Aos 17 de novembro do ano de 1846, Saldanha da Gama foi batizado na Catedral de São Salvador pelo vigário João Carlos Monteiro, sendo padrinhos Francisco de Paula Gomes Barroso, irmão de sua mãe, e sua mulher, D. Joana Bernardina Gomes Barroso. Em 1853, junto ao pai D. José Saldanha da Gama e à família, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde o pai atuou como camarista da Casa Imperial. Em 1859, aos 13 anos, passou então a estudar no prestigiado Colégio Pedro II e, anos depois, formou-se Bacharel em Letras. 

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Aos 17 anos ingressou na Escola Naval. Em 1861,assentou praça como aspirante, participando poucos anos depois das chamadas Questões Platinas ao atuar na guerra contra o Uruguai. Na ocasião, por nomeação feita em 1863, serviu como guarda-marinha e depois porta-bandeira do 1º Batalhão de Fuzileiros da Esquadra, recebendo destacados elogios e menções de bravura.

Em meio ao conflito, casou-se em 1867, aos vinte e um anos, com a jovem de dezesseis anos Emília Josefinade Melo, de Itaqui, no Rio Grande do Sul. Por razões ainda não tão claras, este casamento teve duração efêmera, deixando marcas profundas sobre Saldanha da Gama. Depois de uma semana de casados, afastou-se o casal por exigências da carreira militar de Saldanha. Segundo a maior parte das análises sobre o ocorrido, a vida profissional era a grande prioridade de Saldanha e, principalmente, do pai – Dom José de Saldanha da Gama, e o casamento com Emília parecia ser um entrave ao pleno desenvolvimento do potencial profissional de Saldanha. 

Já então como tenente, foi chamado a participar da Guerra do Paraguai. Em 1869, retornou ao Brasil na posição de capitão-tenente. Poliglota, falava fluentemente francês, inglês, espanhol, italiano e alemão, o que o fez representar o Brasil nas mais diversas ocasiões internacionais, como as Exposições de Viena em 1873, Filadélfia em 1876 e Buenos Aires em 1879, entre outras comissões oficiais do governo. A partir de então, alcançou todos os postos na Marinha, inclusive o de Contra-Almirante da Armada no ano de 1891.

Segundo nos biografam autores como Alberto Lamego e Godofredo Tinoco, Saldanha da Gama foi Cavaleiro da Ordem de São Bento de Aviz, Comendador da Ordem da Rosa, Comendador da Ordem de Cristo, Oficial da Ordem de Aviz, do Duplo Dragão da China, além de possuir as condecorações militares pela Campanha Oriental do Paraguai, pela Rendição de Uruguaiana e a Condecoração do Mérito Militar. Como seu irmão, Dr. José Saldanha da Gama, fez publicar diversas obras relacionadas à Marinha de Guerra e foi um dos fundadores do Clube Naval, local de confraternização e encontro dos homens da marinha. Além disso, foi membro do Instituto Politécnico Brasileiro e de outros institutos de letras. 

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Monarquista, não tomou parte no golpe republicano de 15 de novembro de 1889, embora tenha continuado a prestar serviços à Marinha, aceitando a nova forma de governo como um fato consumado. Representante brasileiro no Congresso de Washington, não presenciou a queda de D. Pedro II. 

Em 1894, na função de diretor da Escola Naval, depois de muito hesitar e mesmo quando a causa parecia perdida, tomou parte nas lutas contra Floriano Peixoto na Revolução da Armada no Rio de Janeiro. Ao que tudo indica, diante da participação da Marinha no movimento e da liderança do Almirante Custódio de Mello, Saldanha da Gama sentiu-se na responsabilidade de estar ao lado dos seus, principalmente, dos aspirantes e marinheiros da Escola Naval. Desmantelado o movimento, não teve alternativa outra a não ser procurar asilo entre embarcações estrangeiras, precisamente portuguesas. As corvetas Mindelo e Afonso de Albuquerque desembarcaram 586 revoltosos em Montevidéu, Uruguai, levando para o Rio da Prata o cenário das lutas que envolviam a Marinha e Saldanha da Gama. Segundo se diz, a essa altura afirmava que só voltaria ao Rio de Janeiro “vivo ou morto”. 

No sul do Brasil, Saldanha da Gama e seus companheiros passaram a lutar na Revolução Federalista. Em Campo Osório, em Santana do Livramento, aos 49 anos, encontrou a morte heroicamente em campo de batalha no dia 24 de junho do ano de 1895, sendo só muito mais tarde encontrado o seu cadáver. Apenas em 1908 é que seus restos mortais foram trasladados do cemitério de Riviera, cidade fronteiriça localizada no Uruguai, para o cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro, onde desde 1946 encontra-se em monumento erigido pelo Clube Naval. 

Dessa forma, completava-se um destino para quem tomou parte na Revolta da Armada e na Revolução Federalista por compromisso com os seus e para quem afirmava sempre: “Espero poder cumprir o meu dever atéao sacrifício”. 

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Rafaela Machado 

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