Cultura, palavra coletiva

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Renata Souza

Cultura, palavra coletiva

Nossa convidada de hoje é a Aline Portilho, é Produtora Cultural, mestre e doutora em História, Política e Bens Culturais (FGV).

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31/10/2020 às 10h17 31/10/2020 às 10h20 Por Aline Portilho, com a colaboração de Raimundo Helio Lopes

Reprodução
Nossa convidada de hoje é a Aline Portilho, é Produtora Cultural, mestre e doutora em História, Política e Bens Culturais (FGV).

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Em um exercício de imaginação, me vejo sentada na areia à beira do mar. A areia pode ser mais fina, como em algumas praias de São Francisco de Itabapoana, ou mais grossa, como em Grussaí, em São João da Barra. Na minha frente, um mar de água escura e imprevisível – eventualmente, ainda que raro, esverdeada – e que pode estar gentil ou bravo. Completando a composição, um vento constante e algum rio que entra no mar. Sou estrangeira em terras nacionais, mas estar no entre lugar não me incomoda.

Tento vislumbrar com encantamento o que o Norte fluminense oferece e habitar esse deslocamento, nem sempre harmonioso, com alguma poesia. Essa busca por habitar com poesia o Norte fluminense me revela diversos encantos deste lugar. Especialmente, é na ação das pessoas que encontramos potência. Em 2020, a mobilização dos agentes culturais neste território ganhou muito movimento.

A Lei Aldir Blanc, a construção da Pré-conferência Popular de Cultura e do Fórum Regional de Cultura do Norte fluminense, que teve sua primeira diretoria eleita em 29 de setembro de 2020, são alguns exemplos. Coletivamente, os agentes culturais da região construíram esses espaços de articulação e vivências e isso demonstra aquela potência citada antes. As diversas pessoas que se mobilizaram para erguer estas estruturas de ação política e cultural na região e o principal legado que fica é produto do caráter coletivo de suas ações.

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Das muitas maneiras de fazer cultura que encontrei no processo, faço um destaque especial aos coletivos. Coletivos, entrelaces culturais: gente que se junta para criar e agir no mundo. Gente que se organiza de forma colaborativa, quebra hierarquias tradicionais para formar agrupamentos dispostos a agir de maneira independente em relação às estruturas econômicas e políticas mais tradicionais.

Os coletivos se propõem a fazer algo que falta na cena cultural de seu território e batalham para articular os meios para aquela ação acontecer. Muitas vezes, articular os meios equivale a demandar, exigir que o poder público atenda às necessidades que apresentam. Assim, são independentes de determinadas estruturas econômicas e de poder, mas não isolados: interagem com essas estruturas para fazerem a política realizar seu papel principal: criar os meios para fazer acontecer as ações em benefício do comum.

Aqui na região, temos muitos coletivos que pintam com cores intensas a cena cultural do Norte fluminense. Pelas redes sociais, podemos ter uma ideia de seus propósitos, suas motivações, seus encantamentos. O Coletivo Resistência Goytacá, que organiza o Dia do Rock Goitacá, se apresenta na rede social Instagram como “um grupo de empreendedores culturais que trabalham em prol da arte e dos artistas de Campos”.

 O Circuito Centro Vivo é um “coletivo que tem como objetivo incentivar a ocupação do centro urbano com arte e cultura”. As POC, que ocupam com poesia a cidade, se definem como “coletivo construtor de espaços de empoderamento e discussão LGBTQ+ em Campos dos Goytacazes para pensar, ouvir e criar resistência, nos permitindo sentir.”

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Tem também o Coletivo Artístico Saravá, “laboratório de estudos sobre performances, teatro, educação e relações étnicos raciais”. Em Macaé, o Rap da Ponte é “um movimento coletivo que fomenta a Cultura Urbana com arte, entretenimento e solidariedade, agindo como ferramenta de transformação social”. São muitos os temas, as pessoas, os objetivos. Apenas com alguns exemplos para refletir sobre essa diversidade encantadora e ansiosos pelo dia do encontro presencial com esses coletivos  em suas ações

Mobilização e ocupação da cidade são termos que surgem muito nas definições dos coletivos. Retomando a imagem do início, entre as paisagens compostas por ventos, praias de areia grossa e fina, sossegadas ou agitadas, rios que atravessam campos e avançam para o mar, nada disso seria completo não fosse a ação dos sujeitos que esta terra habitam, que faz florescer a cultura do Norte fluminense.

Para pensar e produzir as políticas culturais entre estruturas formais e poderes estabelecidos, podemos ouvir o soprar dos rumores que produzem os coletivos culturais. Eles nos apontam um lugar melhor e mais interessante para as políticas culturais da região. Lá, certamente, vamos privilegiar a colaboração e o encontro.

Vamos exercitando isso por aqui também, valorizando e agradecendo cada colaboração que recebemos sem a qual o trabalho sequer existiria. Esse texto, por exemplo, contou com a ajuda fundamental da Mariana Fagundes, do Coletivo Cultural Resistência Goytacá, que deu as dicas dos coletivos da região. Somos gratos por seu apoio, que é tão essencial para nosso trabalho, e seguimos dispostos a colaborar no que for preciso para a resistência cultural no Norte fluminense.

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