Mais fácil culpar 100 mulheres e o movimento feminista do que condenar um estuprador

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Terça-feira, 24 de maio de 2022
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Renata Souza

Mais fácil culpar 100 mulheres e o movimento feminista do que condenar um estuprador

Deste modo, podemos entender o movimento feminista como um movimento reivindicatório, principalmente de direitos políticos, sociais e trabalhistas

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07/11/2020 às 09h39 07/11/2020 às 09h42

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Deste modo, podemos entender o movimento feminista como um movimento reivindicatório, principalmente de direitos políticos, sociais e trabalhistas

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Hoje precisamos retomar um assunto que, infelizmente, está longe de estar superado. Isto é, o movimento feminista. Para quem ainda tem dúvidas, movimento feminista é: um movimento social e político formado, inicialmente, por mulheres para reivindicar igualdade de direitos entre homens e mulheres. Deste modo, podemos entender o movimento feminista como um movimento reivindicatório, principalmente de direitos políticos, sociais e trabalhistas. 

Dentre as principais demandas desse movimento estão: Direito a trabalhar fora do lar e ter um salário digno com a função desempenhada, isto é, direito trabalhista. Direito de frequentar curso superior. Direito de poder votar e ser votada, direito político, conquistado graças a pressão do movimento sufragista.

Criação e comercialização de anticoncepcionais, que colocou fim aos ditames da natureza e permitiu que as mulheres tivessem “maior” controle sobre seus corpos (Um tema polêmico e passível de ser problematizado, mas isso é assunto para outro texto). Criação da Lei Maria da Penha, que foi a primeira lei a criminalizar e criar formas de combate a violência doméstica. Além da Lei do feminicídio, que classifica o assassinato de mulheres por razões da condição de sexo feminino como crime hediondo.

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O movimento feminista, por mais que você mulher não saiba ou não concorde, foi/é o responsável por você ter hoje um rol de direitos, garantias e proteções que nossas avós não tiveram. 

Para alguns sociólogos e historiadores, vivemos a pós modernidade e essas conquistas do movimento feminista seriam indícios do nosso progresso. Mas como falar em pós modernidade com os retrocessos cotidianos? Como falar em sermos modernos, quando fake news fazem parte da agenda política nacional? Quando as instituições que deveriam nos proteger, nos mata? Estaríamos vivendo tempos sombrios?

 Ou seriam tempos bárbaros? Tempos em que ser mulher tornou-se sinônimo de desqualificação e desrespeito aberto pelas instâncias que deveriam nos proteger. Não que ser mulher em algum momento da história tenha sido fácil ou seguro. Tempos de retrocesso, no qual vemos abusadores se vitimando e culpando as vítimas pelo crime sofrido.

Nas últimas semanas, assistimos, a dois casos de violência sexual onde as vítimas foram culpadas e os culpados vítimas. As mulheres tiveram seu corpo invadido e desrespeitado sem o seu consentimento, mas foi a palavra e a condição financeira dos homens envolvidos que determinou como a justiça foi feita.

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Se não bastasse a violência em si que o crime contém, o advogado de defesa do empresário, acusado de estuprar uma jovem de 23 anos em uma festa em 2018, expôs, desrespeitou, humilhou a vítima durante todo o julgamento, isto é, a jovem foi mais uma vez violentada. Desta maneira, podemos ver como as mulheres são de forma recorrente, desacreditadas, aviltadas e transformadas em ré de um crime no qual ela era vítima.

No caso do jogador de futebol, a culpa recaiu sobre a mulher e também sobre o movimento feminista, pois segundo o jogador, a culpa das mulheres denunciarem os abusos e as violências sofridas se deve ao fato de “infelizmente existir movimento feminista”. 

O absurdo não é só o fato das mulheres vítimas de estupro serem culpadas por serem estupradas, vamos lembrar que a culpa do estupro nunca será da roupa da vítima, de suas fotos sensuais nas redes sociais ou vocês já esqueceram do emblemático caso da menina de 10 anos que engravidou em decorrência dos repetidos abusos do tio, desde que a mesma tinha seis anos de idade?

Mais chocante do que a forma como o caso de estupro da jovem catarinense de 23 anos foi conduzido só mesmo a invenção judicial do estupro culposo, isto é, segundo o promotor do caso, o empresário não teve a intenção de estuprar. Desta forma, o acusado foi considerado inocente. Fato jurídico inédito no Brasil.

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Decisão como essa, além de ser eivada de absurdos, dá indícios de que a barbárie pode ser o nosso próximo estágio, pois demonstra que estamos “voltando algumas casas” em nosso processo civilizador.

Por outro lado, evidencia que felizmente existe movimento feminista, pois se com um movimento de defesa dos direitos das mulheres essa excrescência jurídica tomou corpo, imaginem vocês se o mesmo não existisse. Ademais, aponta em direção da necessidade e urgência para que sejamos todos feministas. Em conclusão #justiçapormariferrer

Fonte: Renata Souza

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