Para nunca esquecermos que houve escravidão

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Terça-feira, 24 de maio de 2022
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Sociologia na Prática

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Renata Souza

Para nunca esquecermos que houve escravidão

O filme 'Harriet', dirigido por Kasi Lemmons, faz bem esse papel

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12/12/2020 às 09h01 12/12/2020 às 09h03

Reprodução
O filme 'Harriet', dirigido por Kasi Lemmons, faz bem esse papel

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Eu adoro assistir a filmes que me inspiram e que me trazem à memória questões que jamais devem ser esquecidas. A escravidão é uma delas. E o filme “Harriet”, dirigido por Kasi Lemmons, faz bem esse papel. Lançado em 2019, o longa-metragem conta a história da militante Harriet Tubman, uma ex-escrava fugitiva que, por meio de luta em prol da liberdade, ajudou diversos escravos a se verem livres da escravidão.

O objetivo aqui não é dar spoilers do filme, por isso, não irei me ater ao enredo, mas sim ao recado que “Harriet” veio nos dar: não podemos nos esquecer do nosso passado de séculos de escravidão. Somente no Brasil, a escravidão perdurou de 1550 até 1888, segundo dados trazidos por Marilene Felinto, em sua coluna no jornal Folha de São Paulo, de 12 de maio de 1995. Ou seja, foram mais de 300 anos de escravidão. Mais de 300 anos em que milhares de pessoas foram cerceadas de seu livre arbítrio natural em função da cor da pele. 

Não podemos esquecer que seres humanos eram tratados como propriedade e subjugados a trabalho forçado e torturados somente pelo fato de serem negros. A escravidão, legalmente acabou, no entanto, os resquícios desse passado tenebroso ainda estão aí para nos provar que esse capítulo da história não deve ser apagado. Dados do Atlas da Violência 2020 mostram que os casos de homicídio contra pessoas negras aumentaram 11,5% em 10 anos. Uma reportagem feita pela BBC Brasil, de 25 de junho de 2020, apontou que a taxa de analfabetismo funcional entre as pessoas de 15 anos ou mais, ou seja, entre aqueles que não sabem ler nem escrever, é de 9,1% para os negros e de 3,9% para os brancos.

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Esses são só alguns exemplos do abismo social que separa negros e brancos, decorrente da herança escravocrata. Sem contar as 615 denúncias de discriminação racial que foram recebidas pelo Disque Direitos Humanos (Disque 100) em 2018, estatística divulgada pelo próprio Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. 

Não podemos esquecer do assassinato de George Floyd, que deu início ao movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam), que reverberam hoje no Brasil nos brutais casos de assassinato de jovens negros, vítimas do racismo. Por isso, não caia nesse papo de “modinha” ou “racismo reverso”, argumentos que muitos têm utilizado para invalidar movimentos e políticas antirracistas. Vidas negras importam, sim, porque existe uma dívida deixada por gerações que ainda não foi paga. O passado está aí para nos lembrar. E ao que os fatos indicam, o presente também.

Doutoranda em Sociologia Política na UENF,  mestra em ciências sociais pela Universidade Federal do Espírito Santo e graduada em comunicação social com habilitação em jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo. Também possui uma complementação pedagógica em Língua portuguesa pelo Instituto federal tecnológico do Espírito Santo.

Fonte: Michelli Possmozer

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