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Coluna do Psicanalista

Luiz Duncan

A constituição do sujeito

20/01/2020 às 08h29

Reprodução
A constituição do sujeito

Não se nasce um sujeito, um sujeito se constitui a partir do campo do Outro. Lacan escreveu o Outro com O maiúsculo com a intenção de singularizar esse Outro como lugar da palavra que nos determina dos “outros” (com o minúsculo) que são as pessoas com as quais nos relacionamos. Com o conceito de “grande Outro” Lacan conteve em uma única tese as diversas formas através das quais a palavra nos constitui, nada mais somos do que o efeito da incidência da linguagem sobre nossos corpos.

Então, existe um Outro que já estava lá à espera do sujeito. O simbólico precede à chegada do ser no mundo. O sujeito nasce por ação da linguagem, a mãe ocupa esse lugar de Outro, oferece palavras, significantes através da fala. Lacan o define esse lugar de várias maneiras: lugar do tesouro dos significantes, lugar do código ao qual o sujeito tem que recorrer para emitir sua própria mensagem.

O mundo simbólico engloba o universo da linguagem e é característico do mundo humano, o símbolo o faz homem capaz de organizar-se socialmente fazendo acordos, pactos e contratos. Exige-se para isso pelo menos três elementos; a palavra e dois sujeitos. A palavra funciona como intermediadora, de forma que, desde que uma palavra tenha sido pronunciada, os dois sujeitos em jogo passam a ser outra coisa diferente do que eram antes.

Mas esse Outro do qual tratamos não é completo, a palavra não dá conta, faltam palavras para descrever; é no seio do Outro que o sujeito terá notícias que algo falta a esse Outro, se algo lhe falta ele é castrado e desejante, visto que, onde há falta, há desejo. Não existe um Outro que não seja barrado. O sujeito descobre que papai não sabe tudo e que mamãe não pode tudo.

A partir do que foi exposto, vamos nos arriscar em uma leitura sobre o discurso político. O governo, composto por sujeitos, não cumpre com os acordos, pactos e contratos feitos, e ainda faz uso da máquina pública para interesses particulares. Mas esses sujeitos chegaram lá com o consentimento de uma determinada maioria. Acredito que, uma grande parte, vota em um nome que traz em si o salvador da pátria, indivíduo esse que usa falácias, sofismas, persuasão, raciocínio lógico, porém, falso.

O discurso político visa mascarar a falta, sua castração fica escondida, esconde sua própria divisão; de mãos dadas com o capitalismo deixa de lado o que chamamos de coisas do amor.

Torna-se cada vez mais conclusivo, termos que analisar as propostas dos partidos, votar nas propostas possíveis, para depois interagirmos no processo dialético da construção.

 

                                                               Luiz Roberto Duncan

                                                                    Psicanalista

 

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