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Coluna do Psicanalista

Luiz Duncan

A Verdade Histórica de Cada Sujeito

16/02/2019 às 12h18

Reprodução
A Verdade Histórica de Cada Sujeito

A verdade histórica – entendida como verdade que se distingue da materialidade dos fatos – surge para dar conta de uma ordem de pensamento que não é apenas da razão e da consciência.

Diferente da verdade material, a verdade histórica não se dobra sobre o que é manifesto e textual, a verdade histórica contém algo de latente, ignorado, é preciso que haja uma decifração, além disso, a verdade histórica sempre tem em seu propósito um retorno do passado.

Se no campo científico há todo um desassossego com a comprovação de uma verdade, da verdade ser provável ou não, Freud nos expõe que a verdade nem sempre pode ser provável. A noção da verdade ser improvável, no sentido de não poder dar provas, está sempre presente na psicanálise, pois não há como garantir provas daquilo que um sujeito fala. Contudo, é uma fala que porta a verdade na medida em que é através dela que podemos remontar a história de um sujeito, e não é a história dos fatos materiais que interessa, mas a história que traz a vivência subjetiva que comporta o mito familiar e particular do sujeito.

Assim, tanto o amor quanto a verdade apontam para a máxima freudiana de que com a descoberta do inconsciente, não somos donos de nossa própria morada. Nas palavras de Lacan “A análise veio nos anunciar que há um saber que não se sabe”

A psicanálise coloca tanto o amor quanto a verdade em foco na construção do que poderíamos chamar de realidade. Freud conclui que a sedução que relatavam suas pacientes tratava-se do desejo de terem sido seduzidas, por amor, gerando acontecimentos ocorrido no plano psíquico e não no plano real. E a psicanálise, então, trabalha com o psíquico, não dando muita importância se determinada lembrança apontava ou não a algo sucedido no real, na sua história de vida, porque, a verdade na psicanálise é a verdade do desejo, então, é no movimento, na relação do sujeito com o saber em função de verdade que se situa toda a importância da análise, e não na promessa de um encontro absoluto com ela.

A clínica se orienta a partir da verdade do sujeito e não de uma verdade que viria de outros parâmetros, assim, por exemplo, os da ciência. A verdade histórica de cada sujeito, é produto do método psicanalítico, e está presente tanto na neurose, quanto na psicose.

Luiz Roberto Duncan

                                                                 Psicanalista

 

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