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Coluna do Psicanalista

Luiz Duncan

O Mal Estar Na Civilização

19/08/2018 às 13h25

Publicado em (1930), mesmo ano em que ocorreu uma das maiores crises na Bolsa de Valores de Nova York, o mal-estar na civilização é um clássico estudo sobre as gêneses da infelicidade, sobre o conflito entre sujeito e sociedade e suas diferentes formatações na vida civilizada. 

Nesse livro, Freud demonstra que a repressão e a sublimação das pulsões sexuais, bem como sua canalização para o mundo do trabalho, se constituem como os principais objetos de estudo das doenças psíquicas de nossa época.

 Predominante nesse escrito de Freud é a contradição entre o princípio de prazer e o princípio de realidade. Essa contradição ocorre por que em seu desenvolvimento a civilização constrói regras, normas, leis que irão restringir a livre satisfação das pulsões.  A consequência é que o sujeito alimenta uma quantidade considerável de ansiedade, visto que, seus desejos são desconsiderados, posto que, as exigências que a civilização lhe faz são pesadas demais.

 O que nos interessa aqui marcar é a causa da infelicidade que Freud considera mais importante: aquela que tem sua origem no relacionamento humano. Assim, contra esse tipo de infelicidade Freud sugere alguns tipos de defesa e uma delas é a sublimação.

A sublimação ocorre em função do deslocamento da libido que o aparelho mental possibilita e que lhe confere alternativas.Nesse ponto, Freud faz uma referência sobre a importância do trabalho e sua relação com a sublimação e a felicidade possível devido a impossibilidade do todo. Como exemplo Freud cita a alegria do artista ao criar, do poeta ao compor e a do cientista em solucionar problemas ou descobrir verdades. 

“Nenhuma outra técnica para a conduta da vida prende o indivíduo tão firmemente à realidade quanto a ênfase concedida ao trabalho, pois este, pelo menos, fornece-lhe um lugar seguro numa parte da realidade, na comunidade humana. A possibilidade que essa técnica oferece de deslocar uma grande quantidade de componentes libidinais, sejam eles narcísicos, agressivos ou mesmo eróticos, para o trabalho profissional, e para os relacionamentos a eles vinculados, empresta-lhes um valor que de maneira alguma está em segundo plano quanto ao de que goza como algo indispensável à preservação e justificação da existência em sociedade...”Freud.

Assim, a busca do prazer no trabalho e o afastamento do desprazer constituem um desejo permanente para o sujeito trabalhador, infelizmente, na maioria das vezes, asexigências contidas naorganização do trabalho só oferecem condições contrárias a este propósito, gerando desprazer e sofrimento, com sintomas específicos, transformando o trabalho em necessidade de sobrevivência, no lugar de fonte sublimatória de prazer.

                                                             

 

    Luiz Roberto Duncan
 Psicanalista
 

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