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Coluna do Psicanalista

Luiz Duncan

A ética ' do não ceder do seu desejo'

17/11/2018 às 21h09

A ética ? do não ceder do seu desejo?
 

Um interessante discurso se apresenta atualmente mostrando a necessidade de nos declararmos, de construirmos e sermos senhores de nosso próprio destino, não aceitando modelos que desconsiderem nossos anseios e a forma singular de ser e viver, uma consideração da diferença como constitutiva da dinâmica social e pessoal. A diferença produzindo a identidade.

 Nesse discurso, as rédeas do destino estão nas mãos do sujeito, um agir como mola propulsora, um transitar no registro do ser, um formular desejos para realizá-los, ainda que nunca lhe sejam inteiramente correspondentes mas podem ser transformados. Um sujeito que assume a responsabilidade sobre o que diz e pensa, sabendo que o que diz e pensa tem a ver com o universo das suas escolhas.

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Lembro-me do livro “A Odisseia”, escrito por Homero, que nos fala que quando acabou a guerra em Tróia, todos os heróis gregos foram ressurgindo rapidamente aos seus lares, menos Ulisses. Esse guerreiro teve problemas no caminho de volta. Foram incidentes, descuidos e sabotagens que o mantiveram muitos anos longe de Ítaca, cidade onde era rei. Longe também de sua mulher, Penélope.

 Existe uma passagem no retorno de Ulisses que fala do canto das sereias, os viajantes que se entregaram a ouvir o canto das sereias foram por elas devorados. Amarrado ao mastroUlisses resiste às sereias, mas não abdica do prazer de escutar seu canto: reconhece o encanto, mas não cede ao encantamento. Entregar-se à sedução dessa felicidade também significa desistir da individuação e arriscar a própria existência.

Enquanto isso, em Ítaca, Penélope continuava sofrendo forte coação dos pretendentes ao trono, já que Ulisses não retornava. Assim, ela anunciou que iria cozer um tapete: se o rei não retornasse antes do seu acabamento, ela escolheria um pretendente. Penélope cosia o tapete durante o dia; e à noite o descosia, lutando no tempo, aguardando o retorno de Ulisses.

Penélope não abre mão do seu desejo frente as leis da cidade, coloca o desejo como parâmetro, sem dúvida, uma ação necessária para se questionar valores universais como fórmula de uma suposta boa vida.

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 O sujeito desejante usa em suas mãos o desejo para então buscar as vias de sua realização, que nunca se esgota e nunca se satisfaz. Ao alcançar um ponto onde o sujeito desejava, novo desejo se abre, assim infinitamente, já que isso é da própria estrutura do desejo.

 

                                                         Luiz Roberto Duncan

                                                               Psicanalista

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