Quinta-feira, 22 de novembro de 2018
Anuncie no Ururau | Contato
Logo

Coluna do Psicanalista

Luiz Duncan

Toque de ouro

10/09/2018 às 09h15

Toque de ouro
Vivemos a era do imediatismo, do prazer sem demora, do consumismo, das relações fugazes. Dia após dia percebemos que tudo isso não é suficiente. A busca continua a cada relação, a cada bem adquirido, a cada promoção no trabalho, na espera de que alguma hora, algo será capaz de trazer sentido e completude. A pergunta que fica é se há essa possibilidade enquanto existência humana.

 Há um mito que trata de um rei que também não se sentia completo mesmo já possuindo muitas riquezas, o rei Midas. Certa vez, recebeu de um deus a graça de ter um desejo realizado. Midas, sem pensar muito, escolhe o poder de tocar em qualquer coisa e a transformar em ouro.

 Seu desejo é cumprido, mas a felicidade advinda dele dura bem pouco. Ao retornar ao palácio e tentar comer pão, esse vira ouro, ao tentar tomar uma bebida, essa vira ouro líquido. Sua filha, ao ver sua aflição tenta ajuda-lo, mas ao tocar nele, vira uma estátua de ouro.

CONTINUA DEPOIS DO INFORMATIVO

 O rei Midas acreditou que os seus bens o traria satisfação total. Arrependeu-se em seguida, enxergando que nessa busca perdeu coisas que eram de fato importantes para ele, como sua filha.

Na busca por preencher o nosso vazio estamos também tentando transformar tudo em ouro? Acreditando que trabalhar mais, consumir mais, conquistar mais coisas nos fará completos? Assim como no mito podemos pensar nos nossos laços, qual lugar e que valor encontram nesse processo. Na busca pelo que falta temos perdido muito tempo buscando ter mais e mais. Sem parar para nos questionar, investimos pouco tempo em nos encontrar enquanto sujeitos, investimos pouco nas nossas relações.

Há um vazio em nós, de fato, porém o mesmo faz parte da nossa constituição e por mais tentativas que façamos não será possível preencher. Talvez o caminho para que possamos fazer escolhas mais favoráveis seja aceitar esse fato. Não é possível tamponar a falta, mas é possível ter bons encontros partindo da incompletude.

 O princípio que rege o sujeito da atualidade, o sujeito moderno, é o do desprazer, o do “mais além” em última análise o do gozo. A modernidade tem a ver com fazer o máximo possível, um gozar sempre. Como diz Lacan “o gozo é aquilo que não serve para nada”. O gozo ilimitado, mítico, pertence a pulsão de morte, em uma dimensão além do prazer. E a angústia aí aumenta. A questão é carregarmos pela vida esse ser que somos, um ser em falta.

CONTINUA DEPOIS DO INFORMATIVO

 

                                                                        Escrito a duas mãos

 

                                          Luiz Roberto Duncan                  Jessica Oliveira

                                                Psicanalista                                   Psicologia              


+ NOTÍCIAS

Aviso importante: a reprodução total ou parcial de qualquer conteúdo (textos, imagens, infográficos, arquivos em flash etc) do Portal Ururau não é permitida sem autorização e os devidos créditos e, caso se configure, poderá ser objeto de denúncia tanto nos mecanismo de busca quanto na esfera judicial. Se você possui um blog ou site e deseja estabelecer uma parceria com o Portal Ururau para reproduzir nosso conteúdo, entre em contato através do email: parceria@ururau.com.br
Logo
Todos os direitos reservados - Ururau Copyright 2008 - 2016 Desenhado e programado por Jean Moraes

Poxa! Você usa bloqueadores de anúncios :(

Produzir matérias com qualidade demanda uma equipe competente e comprometida com o bom jornalismo. A publicidade é o único meio de viabilizar e manter nossos serviços ofertados gratuitamente aos nossos leitores. Colabore conosco adicionando o http://www.ururau.com.br como exceção de sites permitidos.

Clique aqui e saiba como adicionar o Ururau como site permitido!

Já fiz isso Fechar aviso