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Coluna Ranulfo Vidigal

Ranulfo Vidigal

Fora de foco

10/10/2018 às 09h06

Para o filósofo Sócrates: “a vida irrefletida não vale a pena ser vivida”

Trazendo esta questão para a presente eleição temos de observar que a confiança tem um papel curioso na democracia: é importante que as pessoas confiem nas instituições, mas é importante que, em algum grau, desconfiem também. Principalmente, nas soluções aparentemente fáceis. Tal qual no mundo, no tempo presente, na terra da jabuticaba, o dinheiro é quem controla o processo democrático, não as pessoas.

Mas voltemos para a economia real. Segundo o FMI a única certeza no horizonte é que uma nova recessão internacional é inevitável. Enquanto isso, na terra da jabuticaba o debate sobre costumes domina a cena e a juventude formada não consegue emprego.

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A estratégia petista neste segundo turno consistirá em colocar na mesa como alternativa uma obviedade. Os trabalhadores (hoje desempregados) querem trabalhar, e os patrões - hoje com dinheiro rendendo juros no giro da dívida pública querem voltar lucrar.

Neste contexto, uma saída possível é conciliar capital e trabalho.
Ocorre que o almejado desenvolvimento econômico realizado por Lula no início da década passada, em boa medida, deveu-se aos anos de ouro de aumento continuado dos preços das commodities alimentares e minerais.

Esta “poupança externa” era o substrato necessário para por em prática políticas públicas de contenção da miséria e pobreza no país. Isso custa muito pouco ao orçamento público, mas hoje nem isso uma parte da elite considera possível de negociar

Shakespeare em suas obras revelando a natureza humana nos auxilia na reflexão sobre distorções da alma, tais como o narcisismo, a incompetência, a crueldade, a paranóia, a loucura e a corrupção, através de personagens como Ricardo III, Macbeth, Coriolanus.

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Todas estas questões são muito atuais nestes tempos de escolhas eleitorais na terra da jabuticaba. Ao longo dos debates, pouco se discutiu sobre o sofrimento real do cidadão médio brasileiro - obrigado a conviver com impostos altos e serviços públicos de padrão africano. Convivendo com entes familiares desempregados e sem renda digna.

Este cidadão que produz a riqueza da oitava economia do planeta vê-se atônito de viver numa terra tão rica, mas governada por elites tão arrogantes e insensíveis.

Nesse contexto, apesar do brasileiro comum saber que a eleição não é, nem de longe, a festa da democracia decantada em prosa e verso, ou que uma eleição pode não mudar absolutamente nada, ele luta sempre para não desperdiçar seu voto e, mais uma vez, não se decepcionar. Avancemos, pois.

Ranulfo Vidigal – economista.

 

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