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Diálogo

Guido Mendes

A violência nossa de cada dia, a intervenção federal e os soldadinhos de chumbo nas avenidas

22/05/2018 às 08h50

  A violência nossa de cada dia, a intervenção federal e os soldadinhos de chumbo nas avenidas

Todos os dias a história se repete. Dezenas de pessoas paradas em frente às bancas de jornais para ler nos noticiários as manchetes sobre a violência que cresce a cada segundo em nosso estado.

Viramos reféns em nossas próprias casas. Diante desse quadro e de uma intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro cabe uma pergunta: Por que?

A intelectualidade de nosso país aponta caminhos, defendendo uma polícia inteligente, mas se esquece de apontar os caminhos para o desenvolvimento dessa política. Caminhos que passem pela realidade das cidades de nosso país. Não adianta importar padrões americanos ou colombianos, se a nossa realidade é outra - apesar do impacto que a violência exerce sobre os cidadãos serem os mesmos: medo e desesperança.

Nossa juventude continua a mercê dos traficantes de drogas e incorporando um pensamento, no mínimo estranho, a conquista de melhores condições de vida, através de práticas ilícitas, como os pequenos roubos que acontecem no nosso dia a dia.

Temos que pensar e agir rápido. Não é segredo para ninguém que a principal arma para combater a violência é a educação. Mas, mesmo tendo conhecimento disso, continuamos engatinhando no desenvolvimento de uma política eficiente de educação. Em contrapartida, a violência galopa, imprimindo o medo e a insegurança na vida do cidadão comum, que trabalha diariamente e paga seus altos impostos. É mais do que chegada a hora de uma ação conjunta entre todos as instituições para sufocar a ação da bandidagem – a interna e a externa -  tanto a das ruas, que nos impõe o toque de recolher, como a de colarinho branco, que financia as ações dos traficantes de drogas e armas e, agora mais do que nunca, a fardada, através das milícias.

A sociedade não pode mais continuar pagando o preço de tanto desvio moral. Precisamos unir forças e discutir políticas sérias, com a implantação de uma nova política de educação, onde passemos às ações humanistas, e, bem menos à política dos números e das estatísticas.

Um bilhão e 300 milhões de reais é o preço da intervenção federal no Rio de Janeiro. Passados dois meses e meio, além do marketing, o que foi oferecido ao cidadão?

Cada um de nós espera uma resposta do governo federal, que se infiltrou na trama, oferecendo a solução e do governo estadual, que, praticamente, desenhou essa história com o sangue de bandidos e de uma grande parte de inocentes. Investigações sem respostas, ações militarizadas ineficazes, revelações constantes do conluio entre bandidos e autoridades, maracutaias na compra de comida para os presos, na compra de armas e nos desvios delas, na compra de viaturas ou seja para todos os lados as digitais dos marginais se fazem presentes – os pequenos esfarrapados com seus cordões de ouro de tolo passeando pelas favelas e os grandes tubarões do crime que se encontram em paris fantasiados com guardanapos.

O  relatório “À deriva: sem programa, sem resultado, sem rumo”, realizado pelo Observatório da Intervenção, da Universidade Cândido Mendes, mostra que o número de chacinas dobrou, passando de seis para 12 casos entre 6 de fevereiro a 16 de abril deste ano na comparação com o ano passado. No período de dois meses, as chacinas vitimaram 52 pessoas ante 22 pessoas em 2017.

O relatório, revela 1.502 tiroteiros, que resultaram em 294 mortes e 193 feridos. O número desses eventos cresceu 15% em relação ao mesmo período do ano passado. 
No período de dois meses, os pesquisadores monitoraram 70 operações, que reuniram 40 mil agentes, nas quais foram apreendidas apenas 140 armas.
                                          
Os números não mentem. O alto custo da intervenção não se justifica. Já assistimos a mesma novela com as UPPs, com as intervenções urbanísticas para a Copa e Olímpiadas em nome de um legado que ficaria para o povo. E o legado está aí aos olhos de todos: caos social. Resta – nos descobrir para quem ficará o legado da intervenção: um bilhão e trezentos milhões a serem gastos livremente, a bel prazer do interventor.

Quando esse devaneio acabar vamos às pesquisas para saber se o MDB continuará dando as cartas no estado do Rio de Janeiro, se o projeto de Planalto decola e se Michel Temer será o piloto. Quem viver verá!
 

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