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Diálogo

Guido Mendes

Psicopatas cotidianos - a linha tênue entre Coxinhas arrependidos e mortadelas raivosos

23/04/2018 às 12h52 23/04/2018 às 12h53

Num mundo de tantas palavras e conteúdos, de tantas ideias fantasiosas e de poucas verdades, de tanta inteligência artificial e nenhuma sabedoria fica cada vez mais difícil escrever algo que toque a alma do leitor. Se escrevemos sobre política, acabamos de um jeito ou de outro, ferindo suscetibilidades. Se falarmos sobre o Brasil nos dias de hoje, somos classificados de mortadelas ou coxinhas, se defendemos a Constituição Federal, nos chamam de esquerdopatas, vermelhos, comunistas, mesmo se copiarmos ipsis litteris, o texto promulgado em 1988. Ou seja, num país de 220 milhões de jornalistas e especialistas em política, o destino de quem ousa pensar fora do contexto, pode ser a morte por inanição ou a mais completa incompreensão.

Nesse contexto, sempre gosto de revisitar minhas memorias e me transportar para o tempo da faculdade de jornalismo. O pequeno pátio com centenas de encontros, ideias fervilhantes, receitas paramudar o mundo e sonhos, muitos sonhos.  No afã de encontrar respostas ou um tema que pudesse me inspirar um belo texto ou, pelo menos, algo mediano, que chegasse a criar um vinculo com o leitor, algo me chamou a atenção nas poucas frases que me saíam dos dedos – o termo, esquerdopata. Quando o usei, o Word não o reconheceu e o grifou de vermelho. Inseguro, corri ao google para me certificar – sou desses -, e encontrei a seguinte definição: “Esquerdopata é o esquerdista doentio, ou seja, com alguma paranoia ou outro tipo de deformidade mental. Infelizmente o ponto exato em que o esquerdista ultrapassa os limites e se torna um esquerdopata é difícil de se verificar”

 Agora, bem informado pelo senhor google – o pai dos burros modernos, senti o desejo, quase jornalístico, de buscar um contraponto, uma oposição ao termo ou à psicopatia diagnosticada. Então, munido de coragem, voltei ao google e busquei o significado de direitopata, termo que, até então, nunca ouvi falar. Nem mesmo, nas ondas de comentários das redes sociais, onde a falta de elegância é quem dita as normas do mundo virtual.

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Eis que, na minha busca,me deparei com o texto do professor Gílber Martins Duarte –Doutor em Análise do Discurso/UFU e Professor da Rede Estadual de Minas Gerais. Em sua definição, Gilber é bem sucinto: direitopata- a doença do atraso.  De pronto, me identifiquei. Pois vejo, um mundo reacionário classificando quem pensa pela ciência, história, filosofia, arte e, até mesmo pela própria cultura, de esquerdopata. Mas afinal o que são os direitopatas?  Pela definição Gilber Martins, direitopatas são aqueles que negam o novo e sonham com a volta às carroças.

Ouso, usar esse espaço para transcrever um trecho do artigo publicado pelo doutor Gilber : - “... Em outras palavras, toda época teve e tem seus atrasos, toda época teve e tem seus conservadores, toda época teve e tem seus direitopatas, mas os que lutam, os que desafiam as trevas da consciência, os que desafiam os atrasos da vida econômico-sócio-política, os que ousam lutar pela transformação das relações de produção, mesmo que demore 100, 200, 300, 400, 1000 anos, sempre superaram épocas atrasadas em função de sistemas mais avançados. Os direitopatas, portanto, são apenas a doença do atraso que teimam em resistir ao científico, teimam em resistir ao superior, teimam em resistir ao racional, teimam em resistir ao lógico, teimam em resistir ao justo. Fazendo uma comparação, os lutadores socialistas livres querem viajar de supersônico, enquanto os direitopatas querem regressar às carroças...”

Em breve análise, esquerdopatas e direitopatas, são frutos do mesmo solo, porém, em árvores distintas. Mas, os dois oferecem os mesmos riscos à humanidade. São frutos tóxicos, que provocam reações extremas e impedem o diálogo. Algo, que se não se fizer presente, ninguém vai se ouvir.

O ideal é que tratemos nossas paranoias e atrasos com um pouco mais de leitura, de conhecimento e de respeito, antes que seja dado o primeiro tiro, pois depois disso, só sangue, dor e trevas.

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Só para finalizar, esse tipo de psicopatia faz com que a pessoa minta ou se confunda com fatos históricos. Recentemente, um direitopata brasileiro pensou que era Tiradentes.  

 

 

 


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