Quinta-feira, 02 de abril de 2026
Brasil e Mundo

Advogada argentina deixa o Brasil após acusação de injúria racial na cidade do Rio

Justiça autoriza saída do país mantendo processo em andamento

Por Fabrício Freitas
02/04/2026 às 12h35

Advogada argentina acusada de injúria racial no Rio volta ao seu país após liberação judicial / Foto: FRAME/POLÍCIA CIVÍL DO RIO DE JANEIRO

A advogada argentina Agostina Páez, acusada por injúria racial após um episódio ocorrido em janeiro deste ano em um bar no bairro de Ipanema, na zona sul do Rio de Janeiro, já retornou à Argentina. A saída da Argentina foi autorizada pela Justiça do Rio de Janeiro no último dia 31 de março, mediante decisão que incluiu a devolução do passaporte e a remoção da tornozeleira eletrônica que vinha sendo utilizada pela ré.

Contexto do incidente em Ipanema

O episódio que motivou o processo ocorreu no dia 14 de janeiro de 2026 em um bar na Rua Vinícius de Moraes, região bastante conhecida na zona sul do Rio. Segundo os autos, Agostina Páez entrou em conflito com os funcionários do estabelecimento em razão de uma cobrança considerada indevida em sua conta. Durante o desentendimento, a advogada utilizou termos pejorativos dirigidos a um dos empregados, que é negro, chegando a chamar o funcionário de "mono" — uma palavra em espanhol que significa macaco — e a fazer gestos imitando o animal. Esses atos foram registrados por câmeras de segurança locais.

Além disso, a promotoria aponta que a ré teria dirigido ofensas racistas a outros dois trabalhadores do bar, configurando três crimes de injúria racial em total, conforme consta na denúncia.

Medidas judiciais para saída do Brasil

Inicialmente, a advogada chegou a ser presa no Rio por algumas horas no início de fevereiro, quando foi submetida à custódia. Logo depois, foi liberada mediante o uso da tornozeleira eletrônica, uma medida que restringia sua mobilidade e monitorava sua localização. Para poder deixar o Brasil, Agostina precisou pagar uma fiança de R$ 97 mil, valor correspondente a 60 salários mínimos, conforme decisão emitida pela 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O desembargador Luciano Silva Barreto assinou a liminar que autorizou a caução e outras medidas ligadas à liberação da ré para se deslocar ao seu país de origem.

Com base nessa decisão, a ré teve seu passaporte devolvido e a tornozeleira retirada na terça-feira, 31 de março, momento a partir do qual pôde embarcar para Buenos Aires, onde chegou na noite do dia 1º de abril, conforme reportado pelo jornal argentino La Nación.

Processo continua enquanto ré está no exterior

Apesar da liberação para deixar o Brasil, o processo criminal referente à injúria racial contra Agostina Páez segue ativo. O sistema judicial mantém a acusação formal e aguarda a continuidade dos procedimentos legais, mesmo com a advogada fora do território nacional.

Em entrevistas concedidas à imprensa argentina, a ré manifestou arrependimento pelo comportamento apresentado durante o episódio em Ipanema, admitindo que reagiu de maneira inadequada. No entanto, o desdobramento do caso ainda será monitorado pelas autoridades brasileiras e poderá evoluir para outras etapas, dependendo dos próximos passos da acusação e da defesa.

O caso ganhou repercussão por envolver uma estrangeira e por ter sido registrado com detalhes de gestos e termos racistas, assunto que segue sendo tratado com rigor pelas instituições no Rio de Janeiro.

 

Fonte: Agência Brasil

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