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Banho de Ofurô: técnica que leva calma e tranquilidade para bebês prematuros

04/04/2018 às 17h49

O projeto foi implantado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI/Neonatal) do Hospital Plantadores de Cana (HPC) desde o mês de março / Foto: Ururau

Sob o olhar atento da mãe, a pequena Laura Vitória Gonçalves Pereira é um dos bebês a receber os benefícios da técnica do “banho de ofurô”. O projeto foi implantado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI/Neonatal) do Hospital Plantadores de Cana (HPC), em Campos, desde o mês de março e tem como objetivo auxiliar na recuperação e no prognóstico de bebês prematuros.  

A técnica consiste na imersão do bebê em um balde forrado com plástico e com água natural em uma temperatura de 37 graus e é realizada por uma fisioterapeuta. Durante o banho, que dura entre 10 e 15 minutos, são feitos movimentos lentos que remetem o bebê à cavidade uterina da mãe e, pelas reações da Laura Vitória, o resultado esperado está sendo alcançado.

“O bebê é envolto num lençol que o mantém contido e isso o faz lembrar o ambiente da barriga da mãe. O contato com a água faz com que ocorra o relaxamento muscular, provendo calma e tranquilidade”, explica a fisioterapeuta Patrícia Freitas ressaltando que quanto mais calmo, mais fácil é o ganho de peso do bebê prematuro. A imersão vai até a altura do ombro do bebê.

Embora não haja pesquisas que comprovem todos esses benefícios, a sensação de tranquilidade é visível nos bebês, que inclusive alguns terminam a sessão até dormindo.

“Desde que começou fazendo o banho ela está mais calma e eu gostei muito, pois ela nasceu bem agitada”, disse a mãe de Laura Vitória, a Hérica Gonçalves Motta, de 41 anos. Mãe de primeira viagem, ela viu a bebê nascer no dia 28 de fevereiro antes de completar oito meses e com apenas 1.870kg. A bebê atualmente pesa 2.150kg.

“O parto foi de urgência, pois nós duas estávamos com o coração acelerado e podíamos ter complicações maiores. Não vejo a hora de levá-la para casa”, disse Hérica que vai à unidade hospitalar diariamente acompanhar o tratamento da filha.

O banho de ofurô é realizado pelo menos duas vezes por semana. De acordo com o chefe da UTI Neonatal do HPC, Marianto de Freitas Cunha Filho ele parte do projeto de humanização da assistência na UTI que começou através do “Projeto Mãe Canguru”, do sistema Único de Saúde (SUS).

“Tudo que a gente faz na humanização é para diminuir a reação de estresse, de dor, acalentar a criança, porque isso ajuda na recuperação dela e na melhora do prognóstico”, disse Marianto.  

Referência em maternidade de alto risco, o Hospital Plantadores de Cana tem uma média diária de 22 bebês internados na UTI Neonatal, mas Marianto explica que nem todos irão receber o banho de ofurô. “Para fazer a técnica são levadas em considerações algumas condições como determinada idade e peso. Todas as crianças que apresentam condições clínicas vão receber o procedimento”, explica.

OUTRAS TÉCNICAS DE HUMANIZAÇÃO

O banho de ofurô chegou para somar às demais técnicas que já vêm sendo realizadas na UTI Neonatal do HPC, como é o caso dos Projetos Polvo, o Abajur e Rede.

No caso do Abajur, ele trabalha a luminosidade do ambiente e consiste em apagar as luzes brancas da unidade e manter acessas as amarelas. A técnica diminui o estresse do neném, facilita a recuperação e melhora o prognóstico depois da alta.

Com foco em melhorar o reflexo dos bebês, uma pequena rede é colocada na incubadora e, ao ser colocado nela, o bebê é obrigado a fazer a sustentação da cabeça e com isso melhora os reflexos dele e depois que recebe alta tem uma melhor resposta, melhor resposta na fisioterapia e melhor qualidade de vida.

Também colocado na parte interna da incubadora, os polvos feitos de lã, com tentáculos em espiral em contato com os bebês, o remete ao período em que estavam no útero. A técnica também deixa os pequeninos longe do estresse.

Fonte: Ururau

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