Política

Vídeo no celular de Thiago Rangel mostra mala de dinheiro ligada a Bacellar, diz PF

Investigação cita suposto acordo de R$ 2,9 milhões, campanhas de aliados, cargos públicos e fraude em postos de combustíveis

Por Fabrício Freitas
19/05/2026 às 22h59

Investigação da PF cita vídeo com mala de dinheiro, suposto caixa 2 e campanhas de aliados em Campos / Foto: Reprodução

A Polícia Federal encontrou no celular do deputado estadual Thiago Rangel, do Avante, um vídeo que mostra uma mala com R$ 500 mil em dinheiro vivo. Segundo a investigação, o valor seria parte de um suposto pagamento atribuído ao ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar, do União Brasil, para financiar campanhas de aliados políticos em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense.

De acordo com os investigadores, o dinheiro faria parte de um suposto acordo de caixa 2 no valor total de R$ 2,9 milhões. A suspeita da PF é de que os recursos seriam usados na campanha de Thamires Rangel, filha de Thiago Rangel, e de outros candidatos ligados ao grupo político do deputado nas eleições municipais de 2024.

Thiago Rangel foi preso no início do mês durante uma operação da Polícia Federal que apura desvios de verbas públicas em contratos de reformas de escolas estaduais no Rio de Janeiro. A investigação aponta suspeitas de direcionamento e superfaturamento em licitações da área da Educação, com possível benefício a deputados aliados.

O material analisado pela PF inclui áudios e mensagens atribuídos a Luís Fernando Passos de Souza, apontado pelos investigadores como operador financeiro de Thiago Rangel. Em um dos áudios, Luís Fernando menciona Rodrigo Bacellar ao tratar do suposto acordo de R$ 2,9 milhões.

Segundo a PF, as conversas indicam que o dinheiro seria usado para fortalecer candidaturas de vereadores aliados e ampliar a influência política do grupo em Campos. Em um dos trechos, o operador financeiro fala sobre a campanha da filha de Thiago Rangel e sobre a tentativa de eleger mais candidatos ligados ao grupo.

A investigação também aponta uma estratégia de manutenção de lideranças políticas por meio de cargos e benefícios dentro da estrutura pública. Nas mensagens, os investigadores identificaram referências a pessoas com influência eleitoral em diferentes regiões e à necessidade de mantê-las próximas antes do período de campanha.

Thamires Rangel foi eleita vereadora em Campos dos Goytacazes em 2024 e ganhou projeção por ter sido apontada como a vereadora mais jovem do Brasil. Ela completou 18 anos dois meses depois da eleição.

A vereadora negou ter recebido qualquer repasse irregular. Em nota, Thamires afirmou que não solicitou, recebeu ou repassou valores vindos de Rodrigo Bacellar para o financiamento da campanha eleitoral de 2024. Ela também declarou que todas as doações foram registradas e aprovadas pela Justiça Eleitoral.

Outro ponto da investigação envolve a negociação de cargos considerados estratégicos na estrutura do Estado. De acordo com a PF, Thiago Rangel teria dado ordens sobre indicações políticas e demonstrado influência sobre a Diretoria Regional de Educação do Noroeste Fluminense.

Os investigadores também citam supostas indicações ligadas a pessoas próximas ao traficante Arídio Machado da Silva Junior, conhecido como Júnior do Beco. Em uma das gravações, Thiago Rangel orienta a separação de nomes relacionados a essa indicação.

Além das suspeitas envolvendo política, campanha eleitoral e contratos públicos, a Polícia Federal afirma que Thiago Rangel teria enriquecido por meio de um esquema de fraude em postos de combustíveis dos quais seria proprietário.

Segundo a PF, os postos usavam bombas adulteradas para entregar ao consumidor menos combustível do que o volume registrado no visor. A prática é conhecida como “bomba baixa”.

Planilhas encontradas no celular do deputado indicariam descontos entre 5,7% e 10,41% no volume entregue. Na prática, um motorista que pagasse por 50 litros de gasolina poderia receber cerca de 45 litros, de acordo com os investigadores.

A Polícia Federal estima que o grupo chegava a lucrar cerca de R$ 1,6 milhão por mês com a fraude nos postos de combustíveis.

A defesa de Thiago Rangel nega as acusações. Os advogados afirmam que o deputado nunca teve operador financeiro e nunca recebeu repasse ilícito de Rodrigo Bacellar ou de qualquer outra pessoa. A defesa também declarou que as acusações serão desmentidas no processo.

A defesa de Rodrigo Bacellar também negou envolvimento. Segundo os advogados, não há voz nem nome do ex-presidente da Alerj nos elementos da investigação citados e Bacellar não é alvo da operação. A defesa afirmou ainda que ele não tem relação nem conhecimento dos fatos mencionados.

Fonte: Redação

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