Terça-feira, 14 de abril de 2026
Opinião

Contrato de vigilância da Uenf soma R$ 42 milhões após troca de empresa

Contrato de R$ 42 milhões na Uenf aponta possível sobrepreço

Por Fabrício Freitas
13/04/2026 às 17h46

Contratação direta e valores do serviço chamam atenção / Foto: Reprodução

O contrato de vigilância armada da Uenf, firmado com a pessoa jurídica Projota Serviços de Segurança Patrimonial Ltda., em 04 de junho de 2025, pela reitora Rosana Rodrigues, no valor de R$ 42.781.575,90 (quarenta e dois milhões, setecentos e oitenta e um mil, quinhentos e setenta e cinco reais e noventa centavos), é o contrato nº 016/2024. Importante esclarecer que esse termo foi feito sem renúncia do reajuste contratual.

Essa contratação, segundo o parágrafo único, já foi realizada por contratação direta, em razão de auditoria da unidade que afastou a empresa então contratada, Vetorseg Vigilância Patrimonial. Essa empresa teria sido descredenciada em 2024, mas o relatório de auditoria ocorreu em 17 de novembro de 2025.

A contratação da Projota seria simples, não fosse o seu histórico de constituição. Essa empresa foi constituída em 24 de maio de 2021, com capital social de um milhão de reais. O dono do negócio, conhecido como Luciano Reynaldo da Neves, aponta como endereço a Praça Seca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, e posteriormente Jacarepaguá, enquanto a empresa tem sede na Rua Jonatas Serrano, número 108, lote 10, PAL 9888, QDR 07, Taquara, Zona Oeste do Rio.

Luciano teria realizado uma reunião, no âmbito da universidade, para contratar os funcionários da outra empresa. Mas quem fez essa apresentação, se a empresa era tão nova no ramo?

O contrato contém sobrepreço, em razão do ínfimo número de vigilantes e da contratação do PROEs da Polícia Militar, pelo valor de R$ 1.500.000 por ano.

Insta ainda acrescentar que a única situação que não se reajusta na Uenf são os proventos dos servidores públicos da universidade, vez que o delegado sindical da região emprega sua esposa em uma empresa que presta serviços de limpeza à universidade, sem concorrência pública, há mais de 10 anos. Enquanto isso, a verba da universidade gasta apenas 55% em salários, em manifesta desvalorização do magistério e dos demais servidores concursados.

Mas existem coincidências que não podem ser desprezadas. Castro tomou posse em 1º de maio de 2021, enquanto a empresa de Luciano foi constituída no dia 24 de maio do mesmo mês e ano.

Luciano também aparece como dono da empresa LRN Serviços e Soluções Ltda., também criada no mesmo período. Essa empresa tinha sede em um apartamento em Jacarepaguá e, posteriormente, transferiu sua sede para uma sala comercial na Avenida Abelardo Bueno, na Barra da Tijuca.

Em 16 de outubro de 2024, essa empresa ampliou suas atividades para vários tipos de serviços, além de revelar que é uma empresa unipessoal.

Segundo dados fornecidos de forma oficial por ex-funcionários da Projota, os serviços prestados pela empresa consistem na escolta de veículos interessados em entrar no Rio de Janeiro, com segurança de suas cargas. Eles apontam como clientes da empresa Projota o Frigorífico Pantanal, Frigomarca, Ramax Importação e Exportação de Alimentos, dentre outras.

Segundo ainda os funcionários, a atividade deles era a proteção das cargas e também a segurança nas entregas no estado do Rio.

Em verdade, esses serviços são contratados exatamente porque existe o risco inerente, em razão da falta de segurança pública. Esse tema sempre foi conhecido, porém não exposto em razão da manifesta contaminação do Poder Executivo, cujo exercício temporário atualmente é do desembargador Ricardo Couto.

Daí o necessário esclarecimento.

O termo aditivo do contrato nº 016/2024 pode ser consultado abaixo:

Fonte: Fabricio Freitas

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