Polícia

Deolane Bezerra: áudio sobre dinheiro do crime vira peça-chave em investigação do PCC

Gravação entregue por ex-funcionária é apontada pela polícia como indício de lavagem de dinheiro e reforça indiciamento da influenciadora.

Por Fabrício Freitas
30/05/2026 às 12h55

Polícia aponta áudio enviado a ex-funcionária como peça importante na investigação contra Deolane. / Foto: Reprodução

Um áudio atribuído a um suposto integrante do crime organizado se tornou um dos principais elementos citados pela Polícia Civil de São Paulo para sustentar o indiciamento da influenciadora e advogada Deolane Bezerra na Operação Vérnix, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

A gravação foi apresentada às autoridades por Denise Rosane Bastos, ex-funcionária da família Bezerra. Segundo a investigação, o material reforça a suspeita de que valores em espécie movimentados pelo núcleo familiar teriam origem criminosa e estariam inseridos em uma estrutura de ocultação patrimonial analisada pelos investigadores.

O caso teve início após Denise, que trabalhou como diarista para a família entre 2021 e 2025, ser acusada de furtar R$ 80 mil em dinheiro vivo da residência de Kayky Bezerra, filho de Deolane, localizada no bairro do Tatuapé, na capital paulista. A ex-funcionária nega a acusação e afirma ter passado a sofrer ameaças após o episódio.

De acordo com o relatório policial, uma das mensagens recebidas por Denise continha um áudio no qual um homem afirma que o dinheiro desaparecido seria proveniente do crime e que a situação não seria resolvida por meio das autoridades. Para a Polícia Civil, a gravação possui relevância porque sugere uma ligação entre os recursos mencionados e atividades ilícitas investigadas no inquérito.

Os investigadores entendem que o episódio extrapola um conflito particular e ajuda a fortalecer a linha de apuração que busca rastrear a origem de grandes quantias em espécie associadas ao grupo investigado. O relatório aponta que a situação representa uma possível evidência da forma como recursos financeiros eram movimentados e protegidos dentro da estrutura analisada pela operação.

Além do áudio, Denise relatou ter sido alvo de ameaças telefônicas e pressões psicológicas. Segundo seu depoimento, pessoas ligadas à segurança particular da família teriam realizado buscas em sua residência, veículo e aparelho celular na tentativa de localizar o dinheiro desaparecido. As informações também foram incorporadas ao inquérito policial.

A investigação avançou após a entrega de um pen drive contendo gravações e mensagens recebidas pela ex-funcionária. A partir da análise do material, a Polícia Civil concluiu que os conteúdos poderiam contribuir para a compreensão da dinâmica financeira investigada e para a identificação de possíveis vínculos entre os envolvidos.

INDICIAMENTO ENVOLVE DEOLANE, MARCOLA E OUTROS INVESTIGADOS

O relatório complementar da Operação Vérnix resultou no indiciamento de sete pessoas apontadas pela polícia como integrantes ou colaboradores de uma estrutura de lavagem de dinheiro supostamente ligada ao PCC.

Entre os indiciados estão Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola e apontado como líder da facção criminosa; Alejandro Juvenal Herbas Camacho, irmão de Marcola; Deolane Bezerra; Everton de Souza, identificado como operador financeiro; Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinhos de Marcola; além do contador Eduardo Affonso Rodrigues.

Segundo a investigação, o grupo utilizaria empresas, operadores financeiros e mecanismos de blindagem patrimonial para ocultar a origem de recursos considerados ilícitos. A polícia sustenta que parte dessas operações era realizada por meio de empresas registradas em nome de terceiros ou constituídas para conferir aparência legal ao patrimônio.

No caso de Deolane, o relatório aponta que a influenciadora teria exercido papel relevante na administração e proteção de bens supostamente vinculados ao esquema. Os investigadores afirmam ter identificado documentos relacionados à reorganização de empresas e estratégias de proteção patrimonial que passaram a integrar o conjunto de provas da operação.

EMPRESA DE TRANSPORTE ESTÁ NO CENTRO DA APURAÇÃO

As investigações apontam que a empresa Lopes Lemos Transportes Ltda. teria sido utilizada como núcleo operacional para movimentação financeira do grupo. Segundo a polícia, a transportadora não atuaria apenas na atividade empresarial formal, mas também serviria para dar aparência legal a recursos que seriam provenientes de atividades criminosas.

A apuração teve origem na análise de documentos apreendidos anos atrás em um presídio de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. A partir desse material, os investigadores passaram a rastrear empresas e pessoas que mantinham ligação com integrantes da facção criminosa.

Embora o nome de Deolane não aparecesse diretamente nos documentos iniciais, a polícia afirma que o aprofundamento das investigações levou à identificação de movimentações financeiras e relações empresariais consideradas relevantes para o caso.

BENS DE LUXO E BLOQUEIO DE PATRIMÔNIO

Durante a operação, foram apreendidos veículos de alto padrão, joias, relógios, aparelhos eletrônicos e grandes quantias em dinheiro. Entre os bens citados pela investigação estão uma Lamborghini Huracan EVO, uma Mercedes-Benz AMG G63 e um Cadillac Escalade.

A Polícia Civil também solicitou o bloqueio de contas bancárias e o sequestro de bens de investigados e familiares, medida que busca impedir a movimentação de patrimônio durante o andamento do processo.

DEFESA NEGA ACUSAÇÕES

A defesa de Deolane Bezerra afirma que a influenciadora é inocente e contesta as conclusões apresentadas pela investigação. Os advogados classificam as medidas adotadas pelas autoridades como desproporcionais e sustentam que os fatos serão esclarecidos ao longo do processo.

A defesa de Marcola também nega qualquer participação do líder da facção na empresa investigada e afirma que ele não possui relação com as atividades empresariais apontadas pela polícia. Segundo os advogados, o único vínculo existente seria familiar, envolvendo parentes que também aparecem entre os investigados.

O caso segue sob análise das autoridades e deve avançar para novas etapas judiciais nos próximos meses, enquanto polícia, Ministério Público e defesas apresentam seus argumentos sobre uma das investigações mais repercutidas do país em 2026.

Fonte: Redação

Últimas Notícias

EM ALTA

Todos os direitos reservados - Ururau Copyright 2008-2026 Desenvolvimento Jean Moraes