A Polícia Civil do Rio de Janeiro desarticulou um depósito de farinha em Belford Roxo que estava sob controle do traficante Leandro Santos Sabino, conhecido como Flamengo. O criminoso impunha aos donos de padarias da região, incluindo áreas de Duque de Caxias dominadas pelo Terceiro Comando Puro (TCP), o monopólio na venda de um tipo específico de farinha, limitando a livre concorrência e elevando custos para o setor.
Monopólio criminoso afeta custo da produção de pão
Essa interferência no fornecimento impacta diretamente a cadeia produtiva local, sobretudo a panificação, já que o preço da farinha, principal matéria-prima para a fabricação do pão, sofreu elevação significativa. O valor do quilo da farinha, que normalmente gira entre R$ 60 e R$ 70 no mercado atacadista legalizado, chegou a ser comercializado a até R$ 100 pelo grupo criminoso. Consequentemente, o preço do pão na Baixada Fluminense, especialmente em bairros como Parque São José e Parque Suécia, teve aumento considerável, passando de R$ 0,50 para R$ 0,80 a unidade.
Impacto nos comerciantes e consumidores locais
O monopólio prejudica tanto os empresários locais quanto os consumidores. Donos de padarias são coagidos a adquirir exclusivamente a farinha indicada pelo tráfico, mesmo que ela seja de qualidade inferior à disponível no mercado formal. Essa prática afeta a competitividade dos negócios, aumenta as despesas e compromete a oferta de produtos a preços justos. Para os moradores das comunidades, o aumento no custo do pão e outros alimentos básicos representa uma carga adicional no orçamento doméstico, reforçando a vulnerabilidade socioeconômica da região.
Ações policiais e resposta do poder público
As delegacias 60ª DP (Campos Elíseos) e 66ª DP (Piabetá) conduzem investigações para desmantelar o monopólio imposto pelo tráfico na venda de farinha. Parcerias entre órgãos de segurança pública e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) estão sendo fomentadas para apurar possíveis crimes de extorsão qualificada, formação de cartel e associação criminosa contra comerciantes do setor de panificação.
Além disso, a Prefeitura de Belford Roxo já apresentou denúncia formal ao MPRJ, buscando apoio para frear essa atividade ilegal que impacta a economia local, prejudicando a cadeia produtiva e o bolso do consumidor. Com isso, espera-se garantir um mercado mais livre e justo, favorecendo produtores e consumidores da região, que dependem da produção de farinha para sua subsistência e para o funcionamento dos pequenos negócios.
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