Com a chegada do calor em todo o Brasil, aumentam as infecções ginecológicas bacterianas e fúngicas.
O ginecologista Domingos Mantelli explica que nessa época do ano, o uso de biquínis molhados por período prolongado, altas temperaturas e queda da imunidade aumentam a predisposição para esse tipo de doença.
“O ambiente úmido e quente que a região da vagina fica submetida é mais propício para a proliferação de fungos e bactérias. Além disso, a quebra na rotina das viagens, alimentação diferente, muita festa e consumo de bebida alcoólica pode diminuir a imunidade”, afirma.
Segundo o ginecologista, as principais doenças ginecológicas do verão são as com presença de corrimento: candidíase, tricomoníase e vaginose bacteriana. Além disso, as alergias da parte externa, também podem aumentar.
A candidíase é causada por um fungo que está presente na flora vaginal da mulher: o Candida albicans. Por uma mudança no pH do ambiente ou baixa imunidade, o fungo se prolifera, o que gera a patologia.
“O corrimento característico é branco e pastoso, lembra leite coalhado, além disso, causa coceira, dor para urinar e na relação sexual”, afirma Matelli. A candidíase também pode ser adquirida na relação sexual.
A tricomoníase também é causada por um fungo, o Trichomonas vaginalis. Pode sexualmente transmitida ou desenvolvida devido à alta umidade na região vaginal. Ela não causa coceira, e o corrimento é amarelo-esverdeado.
A vaginose bacteriana é causada pela Gardnerella vaginalis. Essa infecção provoca um corrimento acinzentado e com forte mau odor e pode provocar ardor e coceira.
As três infecções são tratadas com medicações via oral, podendo ser antifúngicos ou antibióticos, a depender do agente causador. Também podem ser utilizados medicamentos tópicos, como cremes e pomadas.
Já as alergias, segundo Matelli, ocorrem devido ao atrito de roupas, produtos utilizados para lavar as roupas íntimas ou por deixar a água do mar secar com o biquíni no corpo.
Em caso de alergia, a mulher apresenta os sintomas na parte mais externa da região íntima, que são vermelhidão e coceira. O tratamento é feito com antialérgicos tópicos.
Para evitar essas doenças, o ginecologista explica que é importante trocar a roupa de banho após entrar no mar ou piscina.
“Se for ficar mais de uma hora sem entrar novamente, tem que colocar uma roupa mais seca." Se a mulher estiver usando absorvente interno ou coletor menstrual, é importante fazer a troca assim que sair da água.
Além disso, o médico afirma que a calcinha não pode ficar secando no banheiro ou no box, pois o ambiente é muito úmido. Ele também recomenda cuidado na escolha dos produtos utilizados para lavar as peças.
“Tem que ser o produto mais neutro e natural possível, sem perfumes e substâncias químicas e com pH mais neutro." O especialista sugere sabonete de bebê, que pode ser utilizado, inclusive para a higiene da região íntima.
Outra dica é manter a flora da região íntima saudável. Para isso ele aconselha o consumo de probióticos e a não utilização de sabonetes bactericidas diariamente. “Pode utilizar em casos específicos, após a relação sexual ou depois de entrar no mar”, afirma.
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