Saúde

Governo suspende vacina da dengue do Butantan após registro de casos graves

Medida preventiva ocorre enquanto autoridades investigam reações adversas e duas mortes.

Por Fabrício Freitas
08/06/2026 às 17h54

Ministério da Saúde suspende vacinação contra dengue do Butantan após investigação de casos graves. / Foto: Reprodução

O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A medida passa a valer a partir desta terça-feira (9) e foi adotada de forma preventiva após o registro de casos graves de reações adversas que estão sendo investigados por autoridades sanitárias.

Ao comentar a decisão, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que ainda não existe comprovação de relação entre os óbitos registrados e a aplicação da vacina. Segundo ele, as investigações continuam para esclarecer as circunstâncias dos casos.

Ainda não há comprovação de causalidade entre a vacina e os óbitos, declarou o ministro.

De acordo com o Ministério da Saúde, aproximadamente 500 mil doses do imunizante foram aplicadas em todo o país desde o início da campanha. Nesse período, foram notificados 42 casos de eventos adversos considerados graves, incluindo três ocorrências que acenderam o alerta das autoridades de saúde.

Os casos estão sendo analisados por equipes técnicas do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Butantan. Entre as ocorrências investigadas estão duas mortes registradas após a vacinação, além de um terceiro caso grave que exigiu internação hospitalar.

Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a vacina é a primeira contra a dengue produzida integralmente no Brasil e também a primeira do mundo aplicada em dose única. A estratégia de imunização teve início neste ano com prioridade para profissionais da área da saúde e expansão gradual para outros grupos.

Como medida de precaução, o Ministério da Saúde orienta que pessoas vacinadas nos últimos 21 dias procurem atendimento médico caso apresentem sintomas como febre, dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, tontura, sangramentos, sonolência excessiva, irritabilidade, sinais de desidratação ou piora do estado geral.

Entre os episódios investigados está o caso de uma mulher de 39 anos que apresentou febre, dores musculares e náuseas poucos dias após receber a vacina. Ela evoluiu para um quadro compatível com dengue grave, precisou ser internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e recebeu alta posteriormente.

Outro caso envolve uma mulher de 48 anos que desenvolveu sintomas de dengue grave associados a comprometimento neurológico, incluindo meningoencefalite, 19 dias após a vacinação. Ela não resistiu às complicações.

O terceiro caso é o de um homem de 58 anos que apresentou febre cinco dias após receber o imunizante. Segundo o Ministério da Saúde, ele evoluiu rapidamente para um quadro de dengue grave com choque refratário e também morreu.

As ocorrências foram registradas em municípios dos estados de Minas Gerais, Ceará, São Paulo e Tocantins. Os casos seguem sob análise para determinar se existe ou não relação direta entre a vacinação e os desfechos observados.

A partir desta terça-feira (9), a estratégia de vacinação será interrompida temporariamente enquanto os dados de segurança são revisados. O Ministério da Saúde informou que ampliará o monitoramento de possíveis reações adversas na rede hospitalar e orienta que qualquer sintoma seja comunicado aos serviços de saúde.

Apesar da suspensão preventiva, o governo federal informou que as evidências disponíveis continuam indicando proteção contra os quatro sorotipos da dengue. Segundo a pasta, a interrupção da campanha não representa uma conclusão sobre a eficácia do imunizante, mas uma medida de cautela para aprofundar a avaliação dos eventos adversos antes de uma eventual retomada da vacinação.

Fonte: Redação

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