Brasil e Mundo

PCC e Comando Vermelho atuam em 12 estados dos EUA, diz governo Trump

Facções brasileiras ampliam atuação internacional nos EUA

Por Fabrício Freitas
29/05/2026 às 23h48

Facções brasileiras PCC e Comando Vermelho têm presença em 12 estados americanos, segundo governo Trump. / Foto: Reprodução

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta sexta-feira (29) que as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) possuem atuação identificada em 12 estados norte-americanos. A informação foi divulgada por Amanda Roberson, porta-voz do Departamento de Estado, durante uma avaliação da administração do presidente Donald Trump sobre a classificação dessas organizações como criminosas transnacionais.

Segundo Roberson, as facções deixaram de ser uma ameaça restrita ao Brasil e passaram a integrar redes internacionais envolvidas em crimes como tráfico de drogas, tráfico de pessoas, contrabando e movimentação financeira ilícita. A presença em diversos estados americanos confirma a necessidade de medidas mais rigorosas para combater esses grupos.

A decisão do governo Trump inclui o bloqueio de bens vinculados às facções em território dos Estados Unidos, restrições de vistos para seus integrantes e a proibição de transações financeiras envolvendo pessoas ou empresas americanas. Além disso, a classificação permite intensificar o rastreamento de fluxos financeiros internacionais e ampliar investigações sobre possíveis operações de lavagem de dinheiro ligadas às organizações criminosas.

A porta-voz destacou que a medida foi tomada com base em avaliações de segurança nacional e não tem relação com as eleições brasileiras, tampouco prevê qualquer tipo de intervenção militar no Brasil. Ela também afirmou que o governo americano mantém comunicação constante com as autoridades brasileiras e incentiva a adoção de medidas mais rigorosas contra esses grupos, que causam violência e danos no Brasil. A reação do governo brasileiro não tardou.

Em nota oficial, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a decisão, afirmando que o combate ao crime organizado é uma questão de soberania nacional. O texto também mencionou que algumas pessoas estariam buscando apoio externo para influenciar questões internas do país.

A divulgação da atuação das facções nos Estados Unidos ocorreu dois dias após o senador Flávio Bolsonaro participar de uma reunião com Donald Trump, na qual teria defendido a classificação das organizações criminosas. Questionada sobre essa coincidência, Amanda Roberson afirmou que as decisões do presidente americano são independentes e focadas exclusivamente nos interesses dos Estados Unidos.

Apesar das críticas, a porta-voz descartou qualquer hipótese de ação militar, esclarecendo que a classificação é um instrumento jurídico previsto na legislação americana para combater ameaças à segurança nacional. Ela ressaltou que a cooperação entre Brasil e Estados Unidos continuará normalmente, destacando operações conjuntas que resultaram na apreensão de mais de 17 toneladas de cocaína no último ano.

A principal consequência prática da medida será o aumento da vigilância sobre movimentações financeiras ligadas ao PCC e ao Comando Vermelho. Bancos, instituições financeiras e empresas de logística poderão ser submetidos a controles mais rigorosos, o que deve ampliar investigações sobre lavagem de dinheiro e fortalecer a cooperação policial e a troca de informações entre agências de inteligência dos dois países.

Fonte: Redação

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