Opinião

Leon Gomes politiza saída da base e tenta colocar Wladimir no centro de sua crise pessoal

Após decisão coletiva e exonerações no Diário Oficial, vereador mira Wladimir para justificar perda de espaço

Por Fabrício Freitas
03/06/2026 às 22h27

Leon tenta fazer de Wladimir o culpado por sua crise na base / Foto: Reprodução

Em política, toda história tem um contexto, várias versões e a verdade.

E o contexto da fala de Leon Gomes, na sessão desta quarta-feira na Câmara de Campos, começa por uma mudança importante no governo Frederico Paes: a troca de comando da FMIJ, que será assumida pelo ex-secretário de Educação Marcelo Feres. A mudança ocorre após a última gestão da fundação ter sido marcada por críticas sobre a condução dos acolhimentos e reclamações por parte do Ministério Público.

Por trás da crise política aberta na Câmara, existe também essa reorganização administrativa. A saída de nomes ligados a vereadores da base, com exonerações publicadas no Diário Oficial de hoje, atinge diretamente espaços de poder ocupados por aliados. E é nesse cenário que Leon tenta transformar uma decisão de governo e de grupo em uma acusação pessoal contra Wladimir Garotinho.

A versão apresentada por Leon tenta colocar Wladimir no centro da crise. A verdade, pelo que foi dito pelos próprios integrantes da base em plenário, indica outro caminho: a decisão foi coletiva e discutida por um núcleo de aproximadamente 12 pessoas.

A definição foi objetiva: o grupo não pretende pulverizar votos em 2026. A construção passa por um candidato a deputado federal e dois candidatos a deputado estadual. Nesse desenho, Wladimir é o nome para federal. Para estadual, a articulação segue os nomes definidos internamente pela base.

A partir dessa reunião, caberia ao prefeito Frederico Paes chamar vereadores e aliados com pretensões eleitorais próprias para comunicar a decisão, tentar ajustar caminhos e avaliar se ainda haveria possibilidade de composição. Ou seja: não se trata de uma decisão isolada de Wladimir, nem de uma ordem pessoal contra Leon.

Foi uma decisão de grupo.

Essa foi a linha sustentada por Dudu Azevedo, líder do governo na Câmara. Dudu afirmou que participou da reunião, citou a presença do presidente da Câmara, Fred Rangel, e do vereador Silvinho Martins, e disse que a construção foi coletiva: uma pré-candidatura a federal e duas a estadual. Também foi direto ao afirmar que a decisão “não foi unilateral” e que colocar tudo na conta de uma pessoa só não corresponde ao que ele presenciou.

Fred Rangel, presidente da Câmara, também ajudou a recolocar o debate no eixo correto. Ao falar como vereador, e não como presidente da Casa, reconheceu a importância de Leon Gomes e Marquinho do Transporte, mas lembrou um ponto essencial da política: existe hierarquia dentro de um grupo político.

Esse é o centro da questão.

Fred não diminuiu a trajetória de ninguém. Pelo contrário, afirmou que ninguém ali estava para limitar ou ceifar sonhos. Mas deixou claro que o grupo atua de forma conjunta, reúne lideranças, toma decisões e busca aquilo que considera melhor para o próprio projeto e para a cidade.

Quando Leon sobe à tribuna e tenta transformar sua saída da base em acusação direta contra Wladimir, ele politiza sua crise pessoal e eleitoral. Em vez de reconhecer que seu projeto deixou de caber dentro da estratégia definida pelo grupo, escolhe um culpado.

E escolhe justamente Wladimir.

A escolha não é casual. Wladimir é hoje o nome mais forte do grupo para deputado federal. Tem peso eleitoral, mobiliza a política local e virou alvo preferencial de quem precisa criar uma narrativa de rompimento. Para quem entende de política, o movimento é claro: quem rompe agora pode, depois da eleição, tentar voltar para a base. Para isso, precisa preservar pontes com parte do governo e concentrar o desgaste em um nome só.

Mas a narrativa não fecha.

Campos tem prefeito. E o prefeito é Frederico Paes. Se a reunião foi liderada por Frederico, se envolveu cerca de 12 pessoas, se teve participação de lideranças, vereadores, presidente da Câmara e integrantes da base, não é honesto apresentar o episódio como se Wladimir, sozinho, tivesse retirado Leon do grupo.

Leon tem o direito de ser candidato, discordar da estratégia e seguir outro caminho. Marquinho do Transporte também. A política é feita de escolhas, projetos, ambições e divergências. O que não se sustenta é transformar uma escolha política em acusação pessoal.

Dudu Azevedo resumiu bem ao dizer que toda escolha tem consequência. Leon escolhe um caminho. Marquinho escolhe outro. O grupo escolhe sua estratégia. A divergência nasce daí.

O que se vê agora é uma tentativa de dar à saída da base uma aparência de injustiça pessoal. Leon usa palavras fortes, fala em traição, gratidão, caráter e tenta criar uma cena de rompimento moral. Mas, por trás do discurso, existe uma questão simples: seu projeto eleitoral entrou em choque com a estratégia do grupo.

Fred Rangel foi correto ao lembrar que isso é política. E política exige maturidade para entender que nem todo desacordo é perseguição, nem toda decisão de grupo é traição, nem toda perda de espaço pode ser jogada no colo de um único personagem.

A crise de Leon não começa em Wladimir. Começa quando seu projeto individual deixa de caber na composição eleitoral definida pela base governista. E ganha temperatura com a reorganização do governo, a troca no comando da FMIJ e a perda de cargos com as exonerações publicadas no Diário Oficial de hoje.

Diante disso, Leon tenta escolher um culpado.

E, neste caso, escolheu Wladimir.

Fonte: Redação

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