A política brasileira não cansa de oferecer enredos em que a palavra empenhada vale menos que um aperto de mão frouxo em véspera de eleição. O recente movimento de Eduardo Paes e Washington Reis, com a escolha da vice e a reconfiguração dos bastidores, inaugura mais um desses capítulos em que o discurso público serve apenas como biombo para acordos privados.
Paes percorreu o interior do estado como quem distribui esperança em comício de fim de mundo. Conversou com lideranças respeitadas, acenou com a vice-governadoria, alimentou projetos regionais e vendeu a ideia de uma chapa plural, representativa, comprometida com o Rio que existe para além da capital. Era teatro. Washington, por sua vez, fazia o papel complementar: fingia oposição feroz, prometia aliança com Wladimir Garotinho, posava de alternativa moral enquanto, nos bastidores, negociava silenciosamente com o prefeito do Rio.
O combinado era simples e revelador do método: se houvesse impedimento jurídico à candidatura de Washington Reis, ele indicaria Wladimir Garotinho para compor como vice na chapa de Eduardo Paes, levando o MDB no pacote e consolidando uma aliança que fortaleceria o interior no projeto estadual. O impedimento veio. A indicação não. Quem acabou exposto foi justamente Wladimir, o prefeito mais votado do interior fluminense, que ficou na posição desconfortável de ter apostado em um acordo que simplesmente não se materializou.
Resultado? O interior foi descartado como se fosse apenas cenário de campanha. As promessas evaporaram no ar quente das conveniências eleitorais. Restou o velho centralismo carioca, que trata o resto do estado como curral de votos temporário.
Há, porém, um detalhe que os estrategistas de gabinete parecem esquecer ou subestimar. Foi justamente do interior que partiram as denúncias que derrubaram Cabral, implodiram Pezão e empurraram Cláudio Castro para o abismo político no escândalo do Ceperj. Não foi a elite iluminada da capital que fez o serviço. Foi a periferia do poder.
E há um território específico onde a política fluminense historicamente aprende, tarde, o custo da arrogância: Campos dos Goytacazes. Ser inimigo dos grupos políticos de Campos nunca deu certo. Governadores caíram, projetos ruíram e carreiras promissoras foram enterradas quando resolveram desprezar ou enfrentar o peso político da região.
Ignorar essa realidade é mais do que arrogância. É erro estratégico.
O chamado dossiê Paes, que começa a circular em rodas políticas e jurídicas, promete desmontar a imagem cuidadosamente construída do gestor moderno e imune aos vícios da velha política. Sem a aura da blindagem, resta o que sempre resta quando a narrativa cai: os fatos.
Eduardo Paes, vendido por anos como símbolo de eficiência administrativa, começa a se parecer cada vez mais com aquilo que sempre jurou combater. Washington Reis, que ensaiou o papel de rebelde moralizador, revelou-se apenas mais um operador do pragmatismo sem escrúpulos.
No turfe político brasileiro, há um termo preciso para esse tipo de personagem: cavalo paraguaio. Larga na frente, empolga a arquibancada, lidera os primeiros metros e desmancha antes da reta final.
A política fluminense já viu esse filme muitas vezes. A diferença é que, desta vez, o interior, especialmente Campos, parece disposto a deixar de ser figurante.
E quando isso acontece, a história costuma terminar mal para quem apostou na esperteza em vez da palavra.
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