Polícia

Mulher de Rabicó é presa em operação contra lavagem de dinheiro do CV

Polícia Civil mira empresas de reciclagem, ferros-velhos e contas usadas para ocultar dinheiro do tráfico

Por Fabrício Freitas
29/05/2026 às 13h59

Operação da Polícia Civil cumpre mandados no Rio e em outros cinco estados / Foto: Divulgação/PCERJ

Raquel Neves dos Santos Mendonça, companheira de Antônio Ilário Ferreira, conhecido como Rabicó e apontado pela polícia como uma das lideranças do Comando Vermelho, foi presa nesta sexta-feira (29), durante mais uma fase da Operação Contenção, deflagrada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro.

A ação tem como foco o braço financeiro da facção criminosa e cumpre mandados em cidades do Rio de Janeiro e de outros estados. Até a última atualização, ao menos 20 pessoas haviam sido presas.

No estado do Rio, os mandados são cumpridos na capital, em São Gonçalo, Duque de Caxias, Itaboraí, Iguaba Grande, Armação dos Búzios e São João de Meriti. A operação também ocorre em cidades de São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Maranhão.

Empresas de reciclagem e ferros-velhos entram na investigação

Segundo a Polícia Civil, as investigações apontam que Rabicó seria responsável por um esquema de lavagem de dinheiro, gerenciamento de empresas de fachada, movimentações bancárias e uso de terceiros para ocultar patrimônio e valores de origem ilícita.

O esquema teria utilizado empresas de reciclagem, ferros-velhos, contas bancárias de passagem, depósitos fracionados em espécie, emissão de notas fiscais falsas e movimentações financeiras entre empresas ligadas ao grupo. O objetivo, de acordo com os investigadores, era dar aparência de legalidade ao dinheiro do tráfico.

Empresas do ramo de reciclagem e comércio de sucatas teriam transferido milhões de reais diretamente para contas de Rabicó e de empresas controladas por ele. A apuração também identificou indícios de receptação qualificada, aquisição de materiais de origem suspeita e pulverização de recursos em diversas contas bancárias para dificultar o rastreamento dos valores.

Esquema teria movimentado mais de R$ 453 milhões

De acordo com informações divulgadas sobre a investigação, o esquema criminoso teria movimentado mais de R$ 453 milhões. Os valores foram identificados a partir de Relatórios de Inteligência Financeira, análises bancárias, afastamentos de sigilos fiscal, telefônico e telemático, além de cruzamentos de dados financeiros e patrimoniais.

A Polícia Civil também identificou áreas usadas para queima clandestina de cabos de cobre e estabelecimentos vinculados ao grupo investigado. Para os agentes, esses elementos indicam a ligação entre atividades ilícitas e a cadeia de lavagem de dinheiro atribuída à facção.

Operação tem apoio de forças de segurança

A ofensiva é coordenada pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) e conta com apoio da Core, do Bope, da Polícia Técnico-Científica e de unidades operacionais das polícias Civil e Militar.

Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara Criminal Especializada em Combate ao Crime Organizado, após denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Rio.

Segundo a corporação, a investigação durou cerca de um ano e quatro meses. O objetivo é atingir a estrutura econômica usada para sustentar atividades do Comando Vermelho, especialmente a movimentação de recursos ligados ao tráfico de drogas.

Quem é Rabicó

Antônio Ilário Ferreira, o Rabicó, tem 61 anos e é apontado como chefe do tráfico no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, desde o fim da década de 1990.

Segundo informações atribuídas às autoridades policiais, ele possui antecedentes por crimes como homicídio, roubo majorado e associação criminosa. As investigações indicam que Rabicó mantém influência em comunidades da Região Metropolitana e integra a cúpula do Comando Vermelho.

Fonte: Redação

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