A prisão do deputado estadual Thiago Rangel, do Avante, trouxe para o centro da investigação um nome conhecido em Campos dos Goytacazes: Arídio Machado da Silva Júnior, o Júnior do Beco.
Segundo reportagens publicadas pelo Metrópoles e pela Veja, Arídio é apontado em investigações da Polícia Civil do Rio de Janeiro como uma liderança ligada a uma facção com atuação em Guarus. Ele também aparece no relatório da Polícia Federal que embasou a nova fase da Operação Unha e Carne.
O ponto que levou o nome de Júnior do Beco ao caso é direto: de acordo com a PF, Thiago Rangel teria reservado vagas na Secretaria de Estado de Educação para indicações feitas por ele.
O relatório citado pelas reportagens afirma que o deputado pediu ao chefe de gabinete, Fábio Pourbaix Azevedo, que entrasse em contato com Júnior do Beco em seu nome. A conversa trataria de vagas de auxiliar de serviços gerais na estrutura da Educação estadual.
Em uma das mensagens mencionadas pela investigação, Rangel teria dito que possuía oito vagas disponíveis e que parte delas seria destinada a indicações de Júnior do Beco. Ainda segundo a PF, nomes foram encaminhados ao assessor do parlamentar para ocupação dos cargos.
Júnior do Beco é citado nas apurações pelo vínculo com Guarus, região de Campos onde a Polícia Civil aponta sua influência. Em denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro mencionada nas reportagens, Arídio e o irmão, Thiago Batista da Silva, foram relacionados à expansão de um grupo criminoso na cidade.
A ligação entre o personagem e o deputado chama atenção porque Thiago Rangel tem base política em Campos dos Goytacazes. A investigação da Polícia Federal mira justamente a possível interferência de parlamentares em estruturas do governo estadual, com foco em contratos, nomeações e cargos na área da Educação.
Thiago Rangel foi preso na terça-feira (5), por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A medida teve manifestação da Procuradoria-Geral da República. Fábio Pourbaix Azevedo, apontado pela PF como chefe de gabinete e operador do parlamentar, também foi preso.
A Operação Unha e Carne já havia atingido o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar em etapa anterior. Nesta nova fase, a Polícia Federal apura suspeitas envolvendo a Secretaria de Estado de Educação, indicações políticas e possíveis irregularidades em contratos públicos.
A defesa de Thiago Rangel informou que o deputado nega a prática de crimes e que prestará esclarecimentos no processo. A Alerj declarou que está à disposição das autoridades.
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