Sexta-feira, 17 de abril de 2026
Polícia

STJ adia decisão sobre pena de ex-oficial uruguaio da Operação Condor

Pedido de vista suspende julgamento

Por Fabrício Freitas
16/04/2026 às 23h16

Ministra Isabel Gallotti solicitou mais tempo para analisar o processo / Foto: Reprodução

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) adiou o julgamento que decidiria sobre o reconhecimento no Brasil da sentença italiana contra Pedro Antonio Mato Narbondo, ex-oficial do Exército uruguaio condenado por crimes cometidos durante a Operação Condor. O pedido de vista foi feito pela ministra Isabel Gallotti, que pediu mais tempo para analisar o caso. A decisão, que anteriormente indicava a homologação da sentença, foi adiada.

Narbondo, naturalizado brasileiro e com 85 anos, foi condenado à prisão perpétua pela Justiça italiana por envolvimento em sequestros, torturas e homicídios na Argentina em 1976, envolvendo cidadãos italianos. A condenação transitou em julgado na Corte de Apelação de Milão em 2021, mas a extradição não ocorreu devido à sua cidadania brasileira.

No voto, o relator, ministro Sebastião Reis Júnior, recomendou a homologação da sentença italiana, mas limitou a pena a 30 anos de prisão conforme a legislação brasileira. Ele destacou que o julgamento no STJ se restringe à análise formal para reconhecer decisão estrangeira, sem reexaminar o mérito da condenação. O ministro rejeitou alegações da defesa, como prescrição e anistia, destacando que graves violações de direitos humanos não podem ser impedidas por normas internas.

Como medida cautelar, o relator aceitou pedido do Ministério Público Federal para que Narbondo use tornozeleira eletrônica, tenha o passaporte retido e não deixe Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul, onde reside. O pedido considera o risco de fuga diante da possibilidade de confirmação da pena no Brasil.

A Operação Condor foi uma aliança entre ditaduras sul-americanas nas décadas de 1970 e 1980 para perseguir, sequestrar, torturar e eliminar opositores políticos. Participaram Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, numa rede repressiva que resultou em centenas de desaparecimentos e mortes. O caso de Narbondo é um dos poucos em que países estrangeiros buscam garantir a execução de penas relacionadas a esses crimes em território brasileiro.

Fonte: Redação

Últimas Notícias

EM ALTA

Aviso importante: a reprodução total ou parcial de qualquer conteúdo (textos, imagens, infográficos, arquivos em flash etc) do Portal Ururau não é permitida sem autorização e os devidos créditos e, caso se configure, poderá ser objeto de denúncia tanto nos mecanismo de busca quanto na esfera judicial. Se você possui um blog ou site e deseja estabelecer uma parceria com o Portal Ururau para reproduzir nosso conteúdo, entre em contato através do email: comercial@ururau.com.br

Todos os direitos reservados - Ururau Copyright 2008-2025 Desenvolvimento Jean Moraes