Terça-feira, 05 de maio de 2026
Política

PF prende Rui Bulhões, ex-chefe de gabinete de Rodrigo Bacellar

Braço direito do ex-presidente da Alerj foi alvo da 4ª fase da Operação Unha e Carne, que também teve novo mandado contra Bacellar

Por Fabrício Freitas
05/05/2026 às 10h50

Rui Bulhões foi preso em nova fase da Operação Unha e Carne / Foto: Reprodução

A Polícia Federal prendeu, nesta terça-feira (5), Rui Carvalho Bulhões Júnior, ex-chefe de gabinete e apontado como braço direito de Rodrigo Bacellar, deputado estadual e ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. A prisão ocorreu durante a 4ª fase da Operação Unha e Carne, que investiga suspeitas de fraudes em contratos na área da Educação do Estado.

Rodrigo Bacellar, que já se encontra preso em desdobramentos anteriores da mesma operação, também teve um novo mandado de prisão preventiva expedido nesta fase. A nova etapa da investigação mira um suposto esquema de direcionamento de contratos, ocupação de cargos estratégicos e lavagem de dinheiro.

Rui Bulhões é considerado uma figura de extrema confiança de Bacellar. Ele atuou ao lado do ex-presidente da Alerj em diferentes estruturas políticas e administrativas, incluindo a Fenorte, a Secretaria de Governo e a própria Assembleia Legislativa. Na Alerj, Rui chegou a ocupar a chefia de gabinete da presidência da Casa, durante a gestão de Bacellar.

Segundo informações da investigação, a apuração avançou a partir da análise de materiais apreendidos em gabinetes e instalações vinculadas a Rodrigo Bacellar na Alerj, localizada na Rua da Ajuda, no Centro do Rio. Entre os arquivos encontrados, a Polícia Federal identificou uma planilha chamada “PEDIDOS EM 12-04-23.xlsx”.

O documento, de acordo com a apuração, reunia nomes de políticos e campos como “o que tem” e “o que está pedindo”. Para os investigadores, a planilha indicaria uma espécie de mapeamento de cargos e espaços políticos em órgãos públicos considerados estratégicos.

Nesse contexto, Rui Bulhões é apontado como um dos operadores responsáveis por acompanhar a engrenagem política ligada a Bacellar. A suspeita é que ele atuasse na articulação e no controle de indicações para cargos, o que teria facilitado o direcionamento de contratos dentro de áreas da administração estadual.

A 4ª fase da Operação Unha e Carne também mira o deputado estadual Thiago Rangel Lima, preso nesta terça-feira. Segundo a Polícia Federal, Rangel seria o líder de uma organização criminosa suspeita de fraudar procedimentos de compra de bens e serviços, inclusive em contratos ligados à Secretaria de Estado de Educação.

A investigação aponta que a influência sobre estruturas regionais da Educação teria sido usada para favorecer empresas previamente selecionadas pelo grupo. Entre os alvos da operação também está Jucy Gomes de Souza Figueiredo, identificada como superintendente regional da Seeduc.

De acordo com as informações apuradas, o esquema teria ligação com fraudes em contratos e posterior lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis. Esse ponto conecta a atual fase da Unha e Carne a elementos já investigados na Operação Postos de Midas, que mirou suspeitas envolvendo empresas e movimentações financeiras atribuídas ao grupo de Thiago Rangel.

A prisão de Rui Bulhões leva a investigação para dentro do círculo mais próximo de Rodrigo Bacellar. Para a Polícia Federal, a apuração não trata apenas de contratos suspeitos, mas de um possível arranjo político montado sobre indicações para cargos, controle de áreas estratégicas do Estado e acesso a recursos públicos.

Ao todo, a PF cumpre sete mandados de prisão preventiva e 23 mandados de busca e apreensão. Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, peculato, fraude à licitação e lavagem de dinheiro.

A operação segue em andamento. Novos detalhes sobre os presos, os materiais apreendidos e a participação atribuída a cada investigado ainda devem ser divulgados pela Polícia Federal.

Fonte: Redação

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