Política

PF vê atuação política de Cláudio Castro em aportes do Rioprevidência no Master

Decisão do STF cita relação próxima entre o ex-governador do Rio e Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, em período que coincidiu com investimentos bilionários

Por Fabrício Freitas
26/05/2026 às 13h27

Ex-governador Cláudio Castro foi alvo de busca e apreensão em investigação sobre aportes bilionários do Rioprevidência no Banco Master / Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

A Polícia Federal aponta que o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro teria atuado politicamente para viabilizar aportes do Rioprevidência no Banco Master. A informação consta em decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou a operação deflagrada nesta terça-feira (26), na qual Castro foi alvo de mandado de busca e apreensão.

A investigação apura investimentos considerados irregulares de aproximadamente R$ 3 bilhões feitos pela fundação estadual de previdência em instituições ligadas ao Master. Segundo a decisão, os elementos reunidos indicam que Castro, enquanto chefiava o governo fluminense, mantinha vínculo próximo com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e controlador do extinto Banco Master.

De acordo com a apuração citada pelo STF, encontros entre Castro e Vorcaro, inclusive em ambientes privados e no exterior, teriam coincidido com aportes financeiros realizados posteriormente pelo Rioprevidência. A Polícia Federal também aponta conversas encontradas no celular de Vorcaro que indicariam dependência de alinhamento político para a liberação de determinados investimentos.

Outro ponto mencionado na decisão é a possível influência na nomeação de dirigentes do Rioprevidência. Segundo a investigação, mudanças em cargos estratégicos da fundação, especialmente na presidência, na diretoria de investimentos e na gerência de investimentos, ocorreram pouco antes do início dos aportes no Master.

Para os investigadores, esse conjunto de fatores afasta a tese de simples coincidência temporal. A PF sustenta que teria havido interferência política indevida para permitir aplicações em desconformidade com normas regulatórias, pareceres técnicos e a política de investimentos da fundação.

A decisão também registra que os aportes continuaram mesmo após alertas de órgãos de controle e manifestações técnicas contrárias. Segundo a investigação, isso teria permitido a manutenção do fluxo de recursos públicos em operações classificadas como temerárias e sem justificativa técnica adequada.

Conforme a Polícia Federal, o Rioprevidência aplicou cerca de R$ 970 milhões em Letras Financeiras do Master entre outubro de 2023 e julho de 2024. Depois, ainda segundo a apuração, a fundação teria destinado mais R$ 2,01 bilhões a fundos de investimento ligados à mesma instituição financeira.

O caso está sob investigação e ainda depende da análise do Supremo Tribunal Federal e dos demais órgãos competentes. O espaço permanece aberto para manifestação dos citados.

Fonte: Redação

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