O ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, foi alvo da Polícia Federal em nova ação da Operação Compliance. Segundo relatório da PF, homologado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), Paulo Henrique teria acertado o recebimento de propina avaliada em R$ 146,5 milhões em negociação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Detalhes do esquema de propina
A propina, conforme as investigações, seria repassada por meio da compra e transferência de quatro imóveis de alto padrão situados em São Paulo e outros dois localizados em Brasília. A PF informou que, até o momento, foram rastreados pagamentos que somam pelo menos R$ 74 milhões, parte do total acordado. O restante dos valores não foi pago porque Vorcaro passou a ser informado sobre a investigação iniciada pela Polícia Federal em relação aos repasses feitos a Costa.
Segundo a PF, Vorcaro tomou conhecimento de um procedimento sigiloso de investigação por meio de seu funcionário Felipe Mourão, que enviou uma cópia do inquérito em 24 de junho de 2025 via WhatsApp. Essa data é posterior à interrupção dos pagamentos levada a cabo em maio do mesmo ano, mas o ministro Mendonça reconheceu que há indícios fortes de que o banqueiro já tinha ciência da investigação antes de receber o documento.
Investigações e medidas judiciais
Além da prisão de Paulo Henrique Costa, realizada em 16 de abril na quarta fase da Operação Compliance, o advogado Daniel Monteiro também foi detido. Ele é apontado como testa de ferro de Costa e acusado de receber pessoalmente R$ 86,1 milhões em valores de origem ilícita. A prisão preventiva dos dois foi fundamentada na necessidade de coibir a ocultação de bens, prevenir interferência nas investigações e evitar que os suspeitos reestruturem sua rede financeira e jurídica.
A principal contrapartida para o esquema seria o uso dos recursos do BRB, controlado pelo governo do Distrito Federal, para aquisição de carteiras de crédito falsas do Banco Master. Até então, foram identificados negócios com ao menos R$ 12,2 bilhões em carteiras consideradas ruins ou fictícias, mas o montante exato ainda não foi detalhado publicamente.
Desde o início, a Operação Compliance Zero investiga essa máquina de fraude criada para gerar, vender e transferir carteiras fraudulentas entre as instituições financeiras envolvidas no esquema.
Em frente ao imóvel onde Paulo Henrique Costa foi capturado, o advogado Cleber Lopes apresentou a posição da defesa. Ele negou a validade das acusações de pagamento de propina, afirmando que não existem elementos que indiquem que o ex-presidente ofereça risco para o andamento das investigações ou que tenha cometido atos que possam obstaculizar a lei penal.
Com as duas prisões preventivas decretadas por André Mendonça, a PF segue aprofundando as apurações sobre todo o funcionamento da rede criminosa ligada ao Banco Master e ao BRB. A expectativa é que novas fases da operação tragam à tona outras pessoas e detalhes que possam confirmar o esquema.
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