Nomeados pelo juiz da 3ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, Leonardo de Castro Gomes, agora juiz titular da vara, os Drs. Thiago Carapetcov e Augusto Alves Moreira Neto são os atuais administradores da recuperação do Grupo Ambipar no Brasil, vez que, no exterior, foi nomeado Ricardo Rosanova Garcia.
O processo tem o número 3014764-58.2025.8.19.0001. O advogado das 70 empresas requerentes é, dentre outros, Luiz Felipe Salomão Filho, além da presidente da OAB/RJ, a advogada Ana Teresa Basílio.
Os honorários dos administradores devem ficar, em valores de hoje, em R$ 500.000.000,00 (quinhentos milhões de reais), em razão do valor atribuído ao processo, de R$ 10 bilhões.
A advocacia deve ficar atenta, porque grupos econômicos do exterior estão com os olhos voltados para o Brasil nesse segmento.
Os bancos Banco do Brasil, Banco ABC do Brasil, Santander, Itaú Unibanco e Banco Sumitomo apresentaram, em conjunto, uma petição na recuperação, arguindo a incompetência da Justiça do Rio de Janeiro para processar e julgar a recuperação da Ambipar, vez que o principal estabelecimento da empresa seria no estado de São Paulo, na comarca de Nova Odessa (SP), com fundamento no art. 3º da LRE.
Os bancos, juntos, seriam credores de aproximadamente R$ 2 bilhões. Por outro lado, a Ambipar sustenta que tem muitos negócios no Rio. Segundo os bancos, a Ambipar daria treinamento para os fuzileiros navais da Marinha do Brasil em Nova Odessa.
Mas a 21ª Câmara de Direito Privado do Estado do Rio de Janeiro, julgando o Agravo de Instrumento nº 3001743-18.2025.8.19.0000, tendo como desembargador relator Mauro Pereira Martins e como agravante o Banco Santander Brasil S/A, negou provimento ao recurso e manteve a decisão proferida pelo juízo da 3ª Vara Empresarial do Estado do Rio de Janeiro.
Segundo as apurações, a confusão ou gatilho para a queda das ações da Ambipar ocorreu em razão da renúncia inesperada do diretor financeiro João Daniel Piran de Arruda, em 18 de setembro de 2025.
Os negócios da Ambipar são, em regra, licenciamento de empresas, como no caso do licenciamento do aquífero Emboré, no Porto do Açu. A empresa dona do negócio está em nome do filho do presidente da Ambipar Environment Water Solutions Açu S/A, Guilherme Patini Burlenghi, e de Izabel Cristina Monteiro de Souza.
A água servida no Porto do Açu pertencia à Águas Industriais do Açu até meados de 2024, quando o ativo voltou para a Ambipar. Esse movimento é importante, porque foi o período em que o Banco Master, de Daniel Vorcaro, através de fundos de pensão, injetou recursos na Ambipar, oportunidade em que as ações da empresa subiram cerca de 800%.
O grupo que vendeu as ações da Ambipar no período teria lucrado cerca de R$ 1,2 bilhão.
Nesse episódio, aparece o senhor Nelson Sequeiros Rodriguez Tanure (Nelson Tanure) e as empresas Phoenix Água e Energia S/A, Phoenix Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia (“Phoenix FIP”), Ilha de Patmos Fundo de Investimento Multimercado (“Ilha de Patmos”) e Aventti Strategic Partners LLP (“Aventti”), nos autos da recuperação, como terceiros interessados, em 7 de outubro de 2025, propondo uma conciliação com o objetivo de evitar a exposição do Grupo Ambipar.
Tanure teve seu celular apreendido pela Polícia Federal em janeiro de 2026, ou seja, depois da recuperação, no Aeroporto do Galeão, na Operação Compliance Zero, do Supremo.
Um dos principais ativos da Ambipar é, sem dúvida, o aquífero Emboré. Quem toca o negócio seria Fabrício Resende Fonseca, um biólogo capixaba que reside na cidade de Vila Velha.
O aquífero Emboré estaria sendo viabilizado para a construção de data centers na região do Porto do Açu. A abundância das águas do Emboré seria a solução para o negócio.
Mas não para por aí. O Inea concedeu à Ambipar o direito de concessão da Reserva Caruara e sua gestão florestal no Açu.
O diretor responsável pelos licenciamentos ambientais seria Rafael do Espírito Santo. Ele teria assumido o cargo na Ambipar Response no ano de 2023 e seria o responsável pela viabilização da licença para a perfuração de 44 poços do aquífero Emboré.
Rafael também foi diretor do banco BTG Pactual, de André Esteves.
O Grupo Ambipar (AMBP3) também conseguiu levar R$ 150 milhões do Rioprevidência, através do fundo Texas I FIA, em junho de 2025, segundo o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro.
A Ambipar também teria contratos com o Governo Federal de aproximadamente R$ 480 milhões. Dentre os contratos, estão a entrega de cestas de alimentos para os indígenas.
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