Opinião

Firjan comete erro imperdoável ao falar sobre as organizações criminosas do Rio

Entidade cobra segurança após defender benefícios fiscais bilionários

Por Fabrício Freitas
10/06/2026 às 16h13

Firjan erra ao cobrar segurança após bilhões em isenções / Foto: Reprodução/TV Globo

O fato trazido ao debate é a matéria apresentada pela Rede Globo de Televisão, no programa Fantástico, que foi ao ar no último domingo, dia 7 de junho de 2026 (AQUI).

A matéria é contemporânea, mas não é fantástica. Essa movimentação das organizações criminosas no Rio vem sendo levada ao conhecimento da população há mais de um ano. Um dos principais comentaristas de segurança pública do Rio, Rodrigo Pimentel, que já foi da Globo, fala sobre isso há muito tempo. Longe de ser fantástico.

Mas quem é a Firjan na fila do pão nesse caso? 

Somente nos últimos cinco anos, o Estado do Rio renunciou a cerca de R$ 90 bilhões em ICMS. A maioria absoluta para filiados da Firjan. Onde deveriam ser investidos esses valores? Na polícia, com a contratação de 15 mil policiais militares, que seria o déficit no momento.

Também falta contratar 15 mil policiais civis e 15 mil professores. Castro disse que não poderia pagar o piso federal dos professores.

Agora surge a matéria do Fantástico com o senhor Isaac Orverney, porta-voz da Firjan, para dar opinião na reportagem, visando colocar a Firjan na condição de mocinha.

Calma, Isaac. A casa caiu.

O próprio Tribunal de Contas do Estado, ainda que tenha três indicados por Cláudio Castro, já se manifestou sobre essas isenções criminosas. É bom esclarecer que essa farra das isenções fiscais não ocorreu somente no governo Castro.

À luz da matéria que foi ao ar pelo Fantástico, a taxa de guerra da sociedade fica nas mãos dos empresários inescrupulosos, porque as extorsões das organizações criminosas são pagas antecipadamente.

Quem tem mansão em Miami e só anda de jatos particulares não paga impostos e ainda indica quem pode ser seu concorrente, por meio de agentes da Secretaria de Fazenda do Rio e do procurador-geral à época.

O Estado do Rio, na gestão Cláudio Castro, só comprava carros para a polícia. Contratar por meio de concursos públicos não representava prosperidade?

A Firjan só vive brigando por isenções fiscais para seus filiados. Como reclamar da segurança pública se a Firjan luta contra o Estado?

Mas, nesse grupo do Estado do Rio, também estão a Fecomércio, o Sindicato dos Supermercados do Estado do Rio, empresas que operam no Porto do Açu e outros grã-finos da República do Leblon e da Faria Lima.

O Estado do Rio de Janeiro, no ano de 2024, teve um déficit aproximado de R$ 2,4 bilhões, mas renunciou a R$ 23 bilhões. Como o Estado do Rio pode dar o que não tem?

No fim, quem ajuda a esvaziar os cofres do Estado não pode posar de defensor da segurança quando o crime ocupa o espaço abandonado pelo poder público. Se essa engrenagem continuar, o Rio poderá chegar ao limite institucional, com uma intervenção federal deixando de ser hipótese distante para se tornar consequência do colapso.

Fonte: Fabricio Freitas

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