Polícia

Deolane Bezerra é presa em operação contra lavagem de dinheiro do PCC em São Paulo

Justiça bloqueia R$ 27 milhões em bens da influenciadora

Por Fabrício Freitas
21/05/2026 às 09h57

Deolane Bezerra foi detida em operação que investiga lavagem de dinheiro do PCC em São Paulo / Foto: Reproducao

A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa nesta quinta-feira (21) em São Paulo durante uma operação conjunta do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil que investiga lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação incluiu mandados de busca e apreensão em diversos endereços relacionados à influenciadora, incluindo sua residência em Barueri.

Além de Deolane, foi detido Everton de Souza, conhecido como Player, apontado como operador financeiro da organização criminosa. A Justiça também decretou prisões contra Marco Herbas Camacho, o Marcola, líder do PCC, seus familiares e operadores financeiros. Marcola e seu irmão Alejandro Camacho estão presos na Penitenciária Federal de Brasília e foram comunicados da ordem de prisão preventiva.

A operação, denominada Vérnix, apura o uso de uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau (SP) como empresa de fachada para movimentar recursos da cúpula do PCC, repassando valores a familiares de Marcola e terceiros.

A investigação teve início em 2019, após a apreensão de bilhetes e manuscritos com presos na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, que indicavam ordens internas da facção, contatos com membros da alta hierarquia e planejamento de ações violentas contra servidores públicos. Um dos documentos mencionava uma "mulher da transportadora" responsável por levantar endereços de agentes públicos, o que levou os investigadores a aprofundar a apuração sobre a empresa de cargas.

Em 2021, a operação Lado a Lado identificou movimentações financeiras incompatíveis com a atividade declarada da transportadora, crescimento patrimonial sem justificativa e o uso da empresa como braço financeiro do PCC. A apreensão do celular de Ciro César Lemos, apontado como operador central do esquema e atualmente foragido, revelou imagens de depósitos realizados para contas de Deolane e Everton.

A investigação aponta que a influenciadora mantinha vínculos pessoais e comerciais com um dos gestores fantasmas da transportadora. Entre 2018 e 2021, Deolane teria recebido R$ 1.067.505 em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil, além de quase 50 depósitos para duas de suas empresas, totalizando R$ 716 mil. A polícia não encontrou comprovação de prestação de serviços advocatícios que justificassem esses valores.

A Justiça determinou bloqueios patrimoniais e financeiros que incluem 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões, R$ 357,5 milhões em bloqueios financeiros dos investigados e R$ 27 milhões em bens vinculados a Deolane Bezerra. Os investigadores apontam indícios de movimentações suspeitas, risco de fuga, ocultação de patrimônio e possibilidade de interferência nas investigações, o que motivou as prisões e medidas cautelares.

Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinhos de Marcola, também são alvos da operação, mas estão no exterior, na Espanha e Bolívia, respectivamente. Deolane havia passado as últimas semanas em Roma, na Itália, e seu nome chegou a ser incluído na Difusão Vermelha da Interpol antes de seu retorno ao Brasil na quarta-feira (20).

A operação segue em andamento com o cumprimento de mandados e análise dos dados apreendidos para desarticular a estrutura financeira da facção criminosa.

Fonte: Redação

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