Terça-feira, 05 de maio de 2026
Polícia

PF diz que Rangel mandava em regional com 57 escolas e cita falta de transparência

Investigação afirma que deputado preso controlava indicação na Diretoria Regional Noroeste da Seeduc, área responsável por 13 municípios e cerca de 3.200 servidores

Por Fabrício Freitas
05/05/2026 às 17h07

Diretoria Regional Noroeste da Seeduc aparece na investigação sobre fraudes em obras escolares / Foto: Reprodução

A Polícia Federal aponta que o deputado estadual Thiago Rangel, preso nesta terça-feira (5), exercia influência direta sobre a Diretoria Regional Noroeste da Secretaria de Estado de Educação, área responsável por 13 municípios, 57 escolas e cerca de 3.200 servidores. Para os investigadores, o controle político sobre essa estrutura se somava a um problema considerado central na apuração: a falta de transparência nos repasses e contratações feitos por escolas estaduais.

A regional era comandada por Jucy Gomes de Souza Figueiredo, também presa na 4ª fase da Operação Unha e Carne. Segundo a investigação, ela ocupava posição relevante no suposto esquema por atuar justamente na ponta administrativa da Educação, onde passavam informações, procedimentos e contratos relacionados a obras, reformas e serviços em unidades da rede estadual.

Comando sobre a regional

O ponto mais forte citado pela PF aparece em uma conversa de 29 de agosto de 2024. No diálogo, Jucy teria dito que aguardava comandos de Thiago Rangel. Em seguida, segundo o documento, o deputado teria deixado claro que queria ser informado sobre tudo o que acontecesse dentro da regional.

A frase atribuída a Rangel é tratada pela investigação como indício de comando político sobre a estrutura da Seeduc. “Tudo que acontecer dentro da regional eu quero saber. Já avisei ao Marcelo agora aqui, eu não tenho que dar satisfação a ninguém. Porque o deputado sou eu, a indicação é minha e quem manda sou eu”, diz trecho citado na decisão.

Para a Polícia Federal, a declaração mostra que a nomeação de Jucy para o cargo teria ocorrido por indicação direta do parlamentar e que ele exercia poder de decisão sobre atos administrativos dentro da regional. A PF afirma que isso demonstra ingerência do deputado nas tratativas e na condução dos envolvidos.

Contratos sem transparência

A suspeita ganha peso porque a própria investigação aponta dificuldade para rastrear, em bases públicas, os repasses e procedimentos usados pelas escolas estaduais. Segundo a PF, durante o levantamento não foi possível localizar informações públicas sobre recursos descentralizados nem sobre licitações ou dispensas de licitação realizadas pelas escolas, tratadas pelo Estado como unidades gestoras.

Na avaliação dos investigadores, essa falta de transparência contribuiu para a execução da fraude. A apuração mira um suposto esquema de direcionamento de contratos de obras e serviços em escolas estaduais para empresas previamente ajustadas com integrantes da organização criminosa.

A Diretoria Regional Noroeste aparece como uma das peças centrais dessa etapa da investigação. A PF apura se a influência política de Rangel sobre a regional foi usada para interferir em contratos, acessar informações internas da Seeduc e favorecer empresas ligadas ao grupo investigado.

O documento também cita um episódio envolvendo informações da Coordenadoria de Transporte Escolar. Segundo a PF, um arquivo com troca de e-mails formais sobre recurso administrativo em processo de contratação de transporte escolar foi encaminhado a Thiago Rangel por Luiz Fernando Passos de Souza, apontado como operador financeiro do deputado.

Para os investigadores, o envio desse material fora dos canais institucionais indica que o grupo teria acesso privilegiado a informações administrativas internas da Seeduc. A suspeita é que essas informações fossem usadas para acompanhar, orientar ou interferir em processos de contratação pública.

A investigação também conecta esse eixo da Educação à planilha “PEDIDOS EM 12-04-23.xlsx”, encontrada em material apreendido em gabinetes vinculados a Rodrigo Bacellar na Assembleia Legislativa. Segundo a PF, o arquivo reunia nomes de políticos e campos como “o que tem” e “o que está pedindo”, em referência à indicação e ocupação de cargos em órgãos públicos considerados estratégicos.

No caso de Thiago Rangel, os investigadores apontam que ele passou a administrar parte do esquema na área sob sua influência política regional, em Campos dos Goytacazes e municípios próximos. A PF também afirma que o caso investigado na Seeduc seria semelhante ao esquema apurado na Operação Postos de Midas, mas agora dentro da estrutura estadual.

A apuração indica que o modelo envolvia ocupação de cargos, controle de informações, direcionamento de contratos e posterior repasse de recursos para integrantes do grupo. A suspeita é que empresas escolhidas para executar obras ou serviços nas escolas devolvessem parte do dinheiro a operadores ligados ao esquema.

Thiago Rangel foi preso na 4ª fase da Operação Unha e Carne. Jucy Gomes também foi alvo de mandado de prisão. Além deles, foram presos Luiz Fernando Passos de Souza, Rui Carvalho Bulhões Júnior, Fábio Pourbaix Azevedo, Marcos Aurélio Brandão Alves e Vinícius de Almeida Rodrigues.

Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, peculato, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, fraude em licitação ou contrato e frustração do caráter competitivo de licitação.

A Secretaria de Estado de Educação informou que realiza revisão administrativa dos procedimentos relacionados a obras de manutenção e reparo nas unidades da rede estadual. A pasta também afirmou que passou a adotar teto de R$ 130 mil para intervenções classificadas como manutenção e pequenos reparos. Obras acima desse valor deverão ser tratadas como intervenções de maior porte e executadas pela Empresa de Obras Públicas, a Emop-RJ.

Fonte: Redação

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