Terça-feira, 05 de maio de 2026
Política

PF diz que Bacellar prometeu R$ 2,9 milhões para campanha da filha de Thiago Rangel

Segundo a Polícia Federal, valor seria usado para financiar candidaturas ligadas ao deputado preso, incluindo a campanha da filha dele em Campos

Por Fabrício Freitas
05/05/2026 às 13h34

Rodrigo Bacellar é citado pela PF em investigação sobre suposto financiamento eleitoral ilícito / Foto: Reprodução/Facebook

A Polícia Federal afirmou ao Supremo Tribunal Federal que Rodrigo Bacellar, deputado estadual e ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, teria se comprometido a repassar R$ 2,9 milhões para financiar campanhas de aliados do deputado estadual Thiago Rangel, preso nesta terça-feira (5) durante a 4ª fase da Operação Unha e Carne.

Segundo a PF, parte do valor teria como destino a campanha de Thamires Rangel, filha de Thiago Rangel. Ela foi eleita vereadora em Campos dos Goytacazes em 2024, aos 18 anos, e ficou conhecida como a vereadora mais jovem do país. A investigação também aponta que o dinheiro seria usado para outros candidatos ligados à base política do parlamentar.

A suspeita aparece em material compartilhado da Operação Postos de Midas, que já apurava a atuação de um suposto esquema criminoso ligado a Thiago Rangel. Para a Polícia Federal, os elementos reunidos indicam a existência de financiamento eleitoral ilícito, tratado na investigação como possível caixa dois.

Em trecho da representação enviada ao STF, a corporação afirma que há evidências de crimes violentos e de apoio financeiro irregular no valor de R$ 2,9 milhões envolvendo Rodrigo Bacellar. A PF sustenta que o dinheiro teria sido direcionado para a campanha da filha de Rangel e de outros nomes da base do deputado.

Trecho de documento que cita suposto financiamento eleitoral de R$ 2,9 milhões
Trecho do documento citado na investigação

O ponto é considerado relevante pelos investigadores porque ajuda a estabelecer a ligação política entre Bacellar e Thiago Rangel. Rangel é apontado pela PF como líder de uma organização criminosa suspeita de direcionar obras em escolas públicas do Rio de Janeiro, desviar recursos e lavar dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis.

A investigação que resultou na operação desta terça-feira começou a partir da análise de um computador apreendido no gabinete de Rodrigo Bacellar, nas fases anteriores da Operação Unha e Carne. No equipamento, os investigadores encontraram uma planilha chamada “PEDIDOS EM 12-04-23”.

De acordo com a Polícia Federal, o arquivo continha uma relação de deputados estaduais acompanhada de campos como “o que tem” e “o que está pedindo”. Para os investigadores, a planilha fazia referência à indicação e ocupação de cargos em órgãos públicos estaduais considerados estratégicos.

Ainda segundo a PF, a planilha indicava que Thiago Rangel tinha influência sobre cargos no Detran de Campos dos Goytacazes, na Alerj e no Ipem-RJ, o Instituto de Pesos e Medidas do Estado do Rio de Janeiro.

A Polícia Federal cruzou essas informações com dados da Operação Postos de Midas e passou a investigar indícios de desvio de recursos públicos, direcionamento de obras em escolas estaduais e lavagem de dinheiro. O grupo, segundo a apuração, teria usado empresas e postos de combustíveis para movimentar valores de origem suspeita.

A filha de Thiago Rangel, Thamires Rangel, também teve passagem recente pelo governo estadual. Ela chegou a assumir, aos 19 anos, o cargo de subsecretária de Ambiente e Sustentabilidade do Rio, durante a gestão de Cláudio Castro. Na semana passada, deixou o posto após uma série de exonerações promovidas pelo governador interino Ricardo Couto.

Rodrigo Bacellar já estava preso em desdobramentos anteriores da Operação Unha e Carne, mas recebeu novo mandado de prisão preventiva nesta fase. Thiago Rangel também foi preso nesta terça-feira. A decisão foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Além das prisões, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra alvos ligados ao esquema investigado. A operação também determinou o afastamento de Thiago Rangel das funções públicas enquanto a apuração estiver em andamento.

A Assembleia Legislativa informou que está à disposição das instituições para colaborar com o esclarecimento dos fatos. A defesa de Thiago Rangel afirmou que recebeu a notícia da operação com surpresa, que está tomando conhecimento do teor da investigação e que o deputado nega a prática de qualquer ilícito.

Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, peculato, fraude à licitação, lavagem de dinheiro e financiamento eleitoral irregular. A Polícia Federal ainda deve detalhar a participação atribuída a cada alvo no decorrer da investigação.

Fonte: Redação

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