A influenciadora digital Virginia Fonseca passou a ser investigada pela Polícia Federal após o surgimento de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que apontam movimentações financeiras consideradas atípicas envolvendo empresas ligadas ao seu nome.
As informações surgiram após análises realizadas durante a CPI das Bets, encerrada em 2025. Embora Virginia não tenha sido indiciada pela comissão parlamentar, documentos anexados ao processo deram origem a novas apurações sobre a legalidade de operações financeiras realizadas por empresas relacionadas à influenciadora.
A investigação busca esclarecer a origem dos recursos movimentados, além de verificar a existência de possíveis crimes financeiros, fiscais e eventual prática de lavagem de dinheiro. As apurações também analisam a compatibilidade entre os valores movimentados e os faturamentos declarados pelas empresas.
Entre os casos investigados está a Talismã Digital, empresa que Virginia mantinha com o cantor Zé Felipe. De acordo com os relatórios, a companhia recebeu R$ 22,4 milhões entre março e setembro de 2024. Desse total, R$ 17,7 milhões teriam sido transferidos por uma empresa identificada como AMP Pay Marketing e Negócios por meio de cinco operações via Pix.
O alerta foi emitido após instituições financeiras identificarem incompatibilidades entre os valores movimentados e o enquadramento tributário da empresa responsável pelas transferências. O caso passou a integrar os relatórios enviados ao Coaf para análise.
Outra empresa mencionada na investigação é a WPink Suplementos Nutricionais. Relatórios apontam movimentação superior a R$ 43 milhões em um curto período, volume considerado fora do padrão esperado com base nas informações cadastrais apresentadas às instituições financeiras.
Também foram analisadas operações envolvendo a marca Wepink, ligada ao setor de cosméticos. Segundo os documentos, parte das movimentações ocorreu por meio de depósitos em espécie realizados em diferentes agências bancárias, situação que gerou alertas automáticos dos sistemas de monitoramento financeiro.
A defesa de Virginia Fonseca informou que todas as operações possuem documentação fiscal e contábil regular. Os advogados da influenciadora afirmam que os valores investigados estão relacionados a contratos publicitários, atividades empresariais e mecanismos financeiros permitidos pela legislação brasileira.
Segundo os representantes legais, todas as transações foram declaradas aos órgãos competentes e possuem respaldo contratual. A defesa também sustenta que os depósitos em espécie têm relação com receitas obtidas em pontos físicos de venda das empresas.
Até o momento, não há denúncia formal nem condenação contra Virginia Fonseca. A investigação segue em andamento e busca esclarecer os fatos apontados nos relatórios produzidos pelos órgãos de controle financeiro.
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