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Jornalista investigativo com 27 anos de carreira, especializado na cobertura da administração pública. Passou por O Globo, The Intercept Brasil e UOL. Em 2020, venceu o Prêmio Amaerj Patrícia Acioli de Direitos Humanos.
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‘Isso não caiu na minha conta’, diz fantasma sobre salário de R$11 mil na Casa Civil do RJ

Por Ruben Berta
06/06/2026 às 12h54

Cosme Anderson com o deputado estadual Felipinho Ravis: / Foto: Reprodução/Instagram

“Porra!”. A reação foi de susto quando eu informei ao professor de futebol da Vila Olímpica de Nilópolis Cosme Anderson Souza dos Santos, de 50 anos, sobre o seu salário na Secretaria da Casa Civil do governo do Estado do Rio. 

Estive com ele, no campo de futebol em que dá aulas diariamente, na manhã do dia 15 de maio. Foi a mesma data em que sua exoneração do cargo de ajudante na pasta foi publicada em Diário Oficial. 

Nomeado em 26 de fevereiro pela gestão do ex-governador Cláudio Castro (PL), Cosme havia recebido R$ 11.071 no contracheque de março. Em abril, R$ 10 mil. Mas garantiu que nunca viu a cor desse dinheiro. 

Cosme: “Isso não caiu na minha conta, não. Isso não caiu na minha conta, não.”

“Mas é verdade”, reforcei. 

Cosme: “Olha onde eu estou (apontando para o campo de futebol). Olha onde eu trabalho. Isso aqui é social ainda, a gente não recebe nada.”

E tem ideia de como seu nome parou na Casa Civil? 

Cosme: “‘Tô’ por fora”. 

TRABALHO COM EX-VEREADOR

Apesar de o professor de futebol afirmar não saber como foi parar na folha de pagamento do governo estadual, uma dica aparece em suas redes sociais: fotos do deputado estadual Felipinho Ravis (PP) e um de seus principais apoiadores, o pré-candidato a deputado federal pelo mesmo partido Eduardo dos Santos Abreu, o Dudu Padrinho. 

Cosme confirmou que já trabalhou para Dudu Padrinho, que foi vereador em São João de Meriti, entre 2021 e 2024: 

“Eu trabalhei com o Dudu para vereador, para vereador, isso foi lá atrás”, disse. 

Mas ele não te indicou para o cargo no governo (Casa Civil)? Alguém te indicou?

“Não… Eu trabalhei na prefeitura, até mesmo na rua, entendeu? Não tenho cargo nenhum (na Casa Civil).”

24 NOMEADOS EM UMA SEMANA

Conforme revelou investigação da coluna, Castro fez uma leva de pelo menos 24 nomeações na Casa Civil, num período de apenas uma semana, entre 23 de fevereiro e 1º de março, de pessoas ligadas a Ravis ou a aliados do parlamentar. 

Ao todo, somente nos contracheques de março, o gasto com esse grupo ligado ao deputado e a aliados dele foi de mais de R$ 260 mil. 

O levantamento mostra que, em plena reta final do julgamento no TSE do escândalo do Ceperj –que o tornou inelegível–, Castro mantinha a pleno vapor a prática de empregar fantasmas para agradar aliados políticos. 

Todos foram exonerados pela atual gestão, do desembargador Ricardo Couto, que já desligou mais de 3.000 funcionários comissionados e segue com “auditoria na gestão das secretarias e entidades da administração indireta, incluindo empresas estatais dependentes e não dependentes”

Felipinho Ravis, Cláudio Castro e o ex-secretário da Casa Civil Nicola Miccione não se manifestaram a respeito das nomeações. O espaço segue aberto. 

Entre janeiro e maio deste ano, Dudu Padrinho também teve cargo na Casa Civil, com remuneração de R$ 14 mil. 

Ele foi exonerado no dia 20 do mês passado, num dos pentes-finos realizados pela gestão de Ricardo Couto. A coluna não conseguiu contato com Dudu. O espaço segue aberto. 

Fonte: Ruben Berta

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