Um vídeo localizado pela coluna no Instagram mostra o deputado estadual Felipinho Ravis (PP) criticando o governador interino do Rio, o desembargador Ricardo Couto, durante uma reunião com apoiadores, em Nova Iguaçu, sua principal base eleitoral.
A gravação foi feita em 18 de abril, um dia após o pré-candidato ao governo estadual pelo PL, o deputado Douglas Ruas, ter sido eleito presidente da Alerj, numa tentativa de se alçar ao cargo de governador interino.
Ricardo Couto segue no cargo enquanto o STF ainda se debruça sobre a decisão de quem deve permanecer na cadeira do Palácio Guanabara até que um novo sucessor seja eleito.
“Votamos ontem (17 de abril) o presidente da Assembleia. Então, a gente está numa construção a semana inteira para poder conseguir fazer o governador da política. Hoje, nós temos um governador do Judiciário. O cara não quer assinar nada. Ele não quer publicar, não quer fazer as coisas acontecerem. E isso interrompe a vida da população na ponta. Então, elegemos o presidente com a expectativa de assumir interinamente para que o povo tenha um governador político”, afirmou Felipinho Ravis.
Conforme revelou investigação da coluna, o ex-governador Claudio Castro ((PL) fez uma leva de pelo menos 24 nomeações na Casa Civil, num período de apenas uma semana, entre 23 de fevereiro e 1º de março, de pessoas ligadas a Ravis ou a aliados do parlamentar.

Ao todo, somente nos contracheques de março, o gasto com esse grupo ligado ao deputado e a aliados dele foi de mais de R$ 260 mil.
A coluna revelou que entre esses funcionários estão um cabeleireiro e o dono de um lava jato em Nova Iguaçu, que tinham salário de R$ 10 mil na pasta. Também há pessoas, como um mecânico da mesma cidade, que disse nunca ter trabalhado.
O levantamento mostra que, em plena reta final do julgamento no TSE do escândalo do Ceperj –que o tornou inelegível–, Castro mantinha a pleno vapor a prática de empregar fantasmas para agradar aliados políticos.
Todos foram exonerados pela atual gestão, do desembargador Ricardo Couto, que já desligou mais de 3 mil funcionários comissionados.
Felipinho Ravis, Cláudio Castro e o ex-secretário da Casa Civil Nicola Miccione não se manifestaram a respeito das nomeações. O espaço segue aberto.
A assessoria de imprensa de Ricardo Couto não comentou as declarações de Felipinho Ravis. Afirmou, em nota, que “realiza uma ampla auditoria na gestão das secretarias, autarquias, fundações e demais entidades da administração indireta, incluindo empresas estatais dependentes e não dependentes”.
“A análise dos contratos firmados na gestão anterior tem o objetivo de assegurar a eficaz utilização dos recursos públicos e fortalecer o controle de despesas e ampliar a eficiência da administração estadual”, acrescentou.
“Todas as informações apuradas durante o processo serão encaminhadas aos órgãos competentes para conhecimento e acompanhamento, de acordo com os princípios da transparência e da legalidade”, concluiu.
Abaixo, a íntegra do vídeo com as declarações de Felipinho Ravis:
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