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Jornalista investigativo premiado, com passagens por O Globo e UOL. Especialista em política e gestão pública, comanda o Blog do Berta, onde fiscaliza o poder e revela bastidores da política fluminense.
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‘Nem cheguei a trabalhar’, diz mecânico que tinha cargo de R$ 10 mil na Casa Civil

Por Ruben Berta
01/06/2026 às 22h20

Mecânico de Nova Iguaçu nomeado na Casa Civil disse que “nem chegou a trabalhar”, apesar de ter recebido mais de R$ 22 mil em dois contracheques / Foto: Reprodução/Instagram

Mais de R$ 22 mil em dois contracheques da Secretaria da Casa Civil do governo do Estado do Rio já tinham sido recebidos pelo mecânico Douglas Quirino dos Santos Silva, de 45 anos, quando o encontrei, na tarde de 13 de maio, na oficina especializada em embreagem em que ele trabalha, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Nomeado em 23 de fevereiro na pasta pela gestão do ex-governador Cláudio Castro (PL), ele deveria estar cumprindo expediente naquela data – só foi exonerado em 20 de maio, já no governo do desembargador Ricardo Couto. 

Mas, perguntado sobre seu emprego público, não titubeou ao dizer que nunca trabalhou: um funcionário fantasma confesso.

“Não, não estou mais lá (na Casa Civil), não. Eu ia trabalhar, mas nem cheguei a trabalhar não, porque eu comecei aqui (na oficina). Eu larguei tudo lá. Mandaram eu ir lá para ver, mas eu não fiquei porque eu comecei a trabalhar aqui e larguei tudo lá”. 

Apesar de ter largado tudo, Douglas recebeu, segundo o portal da transparência do governo estadual, R$ 12.142 em março e R$ 10 mil em abril. No papel, sua carga horária foi de 40 horas semanais.

Ele faz parte de uma leva de ao menos 24 nomeações realizadas entre 23 de fevereiro e 1º de março ligadas ao deputado estadual Felipinho Ravis (PP) ou a aliados políticos dele, conforme revelou investigação da coluna.

Todos foram exonerados pela atual gestão que já desligou mais de 2.800 funcionários comissionados e segue com “auditoria na gestão das secretarias e entidades da administração indireta, incluindo empresas estatais dependentes e não dependentes”.

Felipinho Ravis, Cláudio Castro e o ex-secretário da Casa Civil Nicola Miccione não se manifestaram a respeito das nomeações. O espaço segue aberto.

APOIADOR DE EX-CANDIDATO A VEREADOR

Na rápida conversa com Douglas, ele negou ter sido indicado para o cargo na Casa Civil por Felipinho Ravis. Mas silenciou ao ser questionado sobre o ex-candidato a vereador em Nova Iguaçu Anderson Pereira da Silva, o Anderson Teca.

Em 2024, ele postou em sua página no Instagram fotos de apoio à candidatura de Teca, que não conseguiu ser eleito.

O ex-candidato a vereador, por sua vez, teve naquela eleição Felipinho Ravis como um de seus principais aliados. A coluna não conseguiu contato com Teca. O espaço segue aberto.

Além do mecânico Douglas, a coluna já revelou que o dono de um lava-jato em Nova Iguaçu também está entre os funcionários da Casa Civil que foram indicados por Felipinho Ravis. A lista também incluiu um jovem cabeleireiro de 28 anos da mesma cidade. 

Ao todo, somente nos contracheques de março, o gasto com esse grupo ligado ao deputado e a aliados dele foi de mais de R$ 260 mil. 

O levantamento mostra que, em plena reta final do julgamento no TSE do escândalo do Ceperj –que o tornou inelegível–, Castro mantinha a pleno vapor a prática de empregar fantasmas para agradar aliados políticos.

Na carona das nomeações, Felipinho Ravis –deputado mais votado em Nova Iguaçu em 2022– se tornou um dos principais aliados na Baixada do pré-candidato do PL a governador e atual presidente da Alerj, Douglas Ruas. 

QUEM É FELIPINHO RAVIS

Nascido em Belford Roxo, Felipe Rangel Garcia, o Felipinho Ravis, de 38 anos, fez carreira na política em Nova Iguaçu, onde foi vereador em 2016 e 2020, com expressivos 10.962 votos na reeleição.

Em 2022, foi o candidato a deputado estadual com a maior votação na cidade. Quase 34 mil de um total de 47.105 votos de Felipinho naquela eleição foram no município da Baixada. À época, ele informou ao TSE não ter bens a declarar. 

Entre julho de 2024 e dezembro de 2025, o parlamentar deixou a Alerj para ser secretário de Trabalho da gestão de Cláudio Castro.

O deputado foi eleito pelo Solidariedade, mas, em abril, migrou para o PP, numa cerimônia grandiosa que contou com a presença de caciques do partido como o deputado federal Dr. Luizinho e o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa, além do pré-candidato a governador pelo PL Douglas Ruas.

Mês passado, Felipinho reuniu centenas de apoiadores numa corrida de rua para homenagear seu aniversário.

Fonte: Ruben Berta

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